Depois da primeira reunião pública do novo executivo de Sesimbra, realizada a 4 de novembro, no Auditório Conde de Ferreira, o Revela Arrábida entrevistou o vereador da autarquia sesimbrense e presidente da comissão distrital do Chega, em Setúbal, Nuno Gabriel.
A conversa tem o objetivo de esclarecer os leitores quanto à posição do Chega, assim como é vista pelo partido a composição partidária, que conta com dois eleitos CDU, dois eleitos Chega, dois eleitos PS e uma vereadora eleita pelo PSD.
Algumas das perguntas surgem após, nesta reunião, o Chega e o Partido Socialista terem votado desfavoravelmente cerca de 30 por cento dos pontos de delegações de competências no presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Francisco Jesus.
A entrevista aborda também a análise geral sobre o desempenho do Chega nos concelhos de Sesimbra, Palmela e Setúbal e quais são as ilações de Nuno Gabriel perante os objetivos propostos para o quadriénio 2025-2029.
Já disseram que não há acordo entre PS e Chega. Mas queremos entender… como é a política do Chega perante o executivo que tem um empate técnico de três partidos?
Não há acordo com o PS da parte do Chega. O único acordo que o Chega tem é com a população, os eleitores, e votaremos favoravelmente as propostas, venha ela de que partido vier. Tendo em conta o resultado eleitoral, significa que temos de fazer uma coisa básica e normal que se chama democracia, que é falar entre nós e decidir em forma conjunta o que é melhor para a população.
E quanto à delegação de competências no presidente?
Não tem que haver maiorias absolutas. Não tem de ser delegado num presidente todos os poderes que a lei prevê que se deleguem. A lei prevê que se delegue ou não. Por isso é que é uma previsão. É normal delegar, como não delegar. Entendemos que para haver um escrutínio, sete cabeças pensam melhor que duas ou três, e digo isto num sentido positivo e não de desconfiança. Todos já perceberam, até pela minha campanha e debates, aquilo que penso da gestão dos dinheiros públicos. E agora estou aqui para trabalhar, não para criticar. É completamente normal e natural e chama-se democracia.
Mesmo a CDU tendo notificado que não existiu contacto ou aproximação, apesar de não ser acordo, estão disponíveis para conversa e diálogo, se for uma proposta que o Chega considere boa para os sesimbrenses?
O presidente, Francisco Jesus, disse e bem, que não falou conosco. E nós não falamos com ele. Isto tem dois caminhos e por motivos ideológicos. A gestão da CDU, em várias câmaras do distrito, não são gestões que nos possamos rever. Jamais aceitaremos pelouro ou participaremos no executivo que criticamos por má gestão. Acho que seria contraditório o fazer.
E as propostas?
Nós não temos problema nenhum, e tal como fazemos na Assembleia da República, onde nós já votamos propostas da CDU, do BE e do Livre, se a CDU trouxer propostas que nos entendemos boas para a população, nós iremos deixar de olhar de onde veem e passamos a olhar para as pessoas. Agora, haver um acordo ou pré-acordo, algo escrito ou haver uma base de entendimento, isso acho que não é possível. Tal é a diferença entre a visão de gestão autárquica da CDU e do Chega.
Trocando o papel de vereador, pelo de presidente da Distrital do Chega, como é que vê os resultados do partido no território Arrábida?
É uma análise positiva e posso dar dois pontos de vista, que formam um. No sentido em que partimos em 2021 com três vereadores, e em 2025, temos 25, no distrito inteiro. Em relação a Palmela, Setúbal e Sesimbra, a Câmara de Setúbal teve um episódio que teve um impacto leitoral no resultado, mas isso é passado. Em Palmela, quase vencemos, por uma diferença de cerca de 200 votos, como em Sesimbra.
É esse o balanço?
Digo que são bons resultados no ponto de vista da evolução de 2021 a 2025. Mentiria se disse-se que um bom resultado seria ganhar as câmaras — que esteve quase a acontecer. Vejo o resultado como algo agridoce: uma grande evolução a nível autárquico, sendo essa a parte boa, e a menos boa é que não ganhámos nenhuma dessas três câmaras.

