Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, esclareceu o porquê do alegado encerramento de pequenos negócios de roulotes, em diferentes zonas da Avenida José Mourinho, no decorrer da reunião pública do executivo, realizada a 4 de fevereiro, ressalvando que, no caso, trata-se apenas de dois comerciantes, com casos específicos. Os restantes permanecem no mesmo local, “com licenças renovadas”.
Nas redes sociais, a “Palavras com Arte” afirmou, a 3 de fevereiro, que havia “chegado ao fim” a presença daquela loja na Praia da Saúde, após notícia da não renovação da licença de venda no espaço, depois de “cinco anos consecutivos”, considerando ainda que os documentos que aprovavam “a venda na via pública (…) acrescentavam dinâmica e valor a certos espaços”.
“Para nós é como um fecho de ciclo onde domina a palavra ‘gratidão’, pois não podemos esquecer que, em plena pandemia, foi a nossa cidade que nos acolheu e permitiu-nos trabalhar. Ganha a nossa loja (prestes a inaugurar na Baixa de Setúbal) e que, assim, passará a abrir, também, aos sábados”, acrescentam os comerciantes.
Foi precisamente este o ponto destacado na explicação que a presidente da autarquia sadina deu, defendendo que “os vendedores não foram tirados”, apenas “essa senhora” porque “irá abrir uma loja na Baixa”, tratando-se a licença negada “precária e anual” que, no caso, era “de fim de semana”.
“Estamos a fazer uma reorganização na frente da Praia da Saúde, com obras. Estão previstos uma data de projetos”, adiciona a edil, além de informar que foi feito o convite de que, na organização de eventos do Município, poderá participar.
Outro dos casos diz respeito ao alegado encerramento da icónica roulote “O Calhotas”. No mesmo dia [3 de fevereiro] circulou no Facebook a mensagem de que a câmara municipal queria encerrar o negócio, com a reiterada importância deste “sustento de uma família”, sendo também o “ponto de encontro de gerações de setubalenses”.
“Durante quase três décadas, esta roulote serviu a cidade, respeitou regras, criou memórias e nunca virou costas a Setúbal. Agora, querem apagar tudo isso com uma decisão fria, sem olhar para as pessoas”, pode ler-se na mesma publicação.
Maria das Dores Meira explicou que a situação “difere” do caso apresentado anteriormente e que a informação chegou a quem de direito antes do Município comunicar a decisão efetiva do que pretende fazer.
“Ia ser comunicado por nós que teria de retirar apenas uma roulote. Ele tem duas. Não quisemos prejudicar o senhor Calhotas. Uma delas serve como uma espécie de armazém e, dada a reorganização que queremos fazer, tem de encerrar apenas uma. A outra continua a trabalhar”, remata a autarca.
A presidente deixa ainda a nota de que, naquela zona onde existem bares e habitações, tem que ser equacionada uma solução que beneficie ambos os moradores e trabalhadores, enquadrando o “direito ao descanso”, sem prejudicar a atividade comercial que se pratica no local há vários anos.

