O debate político e as interações nas redes sociais, por parte da população, sobre o aumento das taxas na fatura da água, em Setúbal, tem sido o principal tema de discussão nos últimos meses.
Entre tomadas de posição e a criação de um movimento de cidadãos, foram realizadas duas manifestações contra os aumentos dos tarifários, praticados pelos Serviços Municipalizados de Setúbal (SMS), no que diz respeito à água, saneamento e tratamento de resíduos.
Apesar da alta contestação no mundo digital, apenas 250 pessoas marcaram presença nos dois eventos. Os organizadores confirmaram, ao Revela Arrábida, que estiveram cerca de 150 pessoas, na ação organizada pela CDU e PCP, no dia 30 de maio, às 10 horas, e perto de 100 manifestantes, no protesto do Movimento Resgatar Setúbal, no dia 13 de junho, às 17 horas.
Trama começa no início de 2026, quando os tarifários são atualizados, na reunião pública do executivo da Câmara Municipal de Setúbal (CMS), de 23 de janeiro. Segundo a presidente da CMS, Maria das Dores Meira, o valor que era pago anteriormente “não cobria” os custos do serviço realizado pela Amarsul, empresa responsável pelo tratamento de resíduos.
José Alexandre, técnico da CMS, reforça as palavras da presidente, ao dizer que os SMS corriam o risco de “ficar em crise”, caso as tarifas de água, saneamento e resíduos não fossem aumentadas.
Ambas as afirmações não convenceram os comunistas, nem o movimento cívico, que nasceu no dia 6 de maio. Segundo a CDU e PCP, o regresso da gestão da água à esfera pública conduziu a uma “diminuição do preço, à criação de uma tarifa social e à faseada procura de recuperação tendencial de custos, com uma controlada” evolução das tarifas praticadas.
Neste sentido, a coligação e o partido, “não podem deixar de se opor” ao “caminho escolhido pela maioria de direita” que governa a Câmara Municipal de Setúbal, “composta pelo movimento independente Setúbal de Volta (apoiado pelo PSD-CDS) e pelo Chega”.
“É verdade que a privatização da EGF/Amarsul, realizada em 2015 por um Governo PSD-CDS, conduziu ao aumento brutal das tarifas, e que o aumento desmesurado da Taxa de Gestão de Resíduos, imposto pelos sucessivos governos, são fatores que pressionam as finanças municipais, tornando insustentável o serviço de gestão de resíduos. Mas a opção de transferir integralmente os custos para os utentes é inaceitável”, referem na publicação realizada nas redes sociais.
Já o representante do Movimento Resgatar Setúbal, Igor Pereira, em declarações ao Revela Arrábida, afirma que a adesão “foi abaixo” do que esperava.
“Entendemos que por ser num sábado, nós escolhemos o sábado propositadamente para que as pessoas não perdessem um dia de trabalho, para que pudessem usufruir do seu dia e, ao final da tarde, pudessem estar aqui presentes, mas esperávamos muito mais, no facebook tivemos mais de mil confirmações”, explica.
Apesar deste facto, Igor acredita que a manifestação foi “um sucesso” e que as pessoas que foram até à porta da Câmara Municipal de Setúbal “entendem a causa” e “saíram do protesto mais informados” para poder questionar e lutar contra o aumento de resíduos.
“De imediato queremos que a câmara passe a suportar parte desse custo. Entendemos que é um aumento desproporcional e que existe uma falta muito grande de transparência nos SMS, quanto aos cálculos feitos em relação à quantidade de resíduos, que cada munícipe e empresa acabam por gerar”, refere.
Ao reconhecer que a maior parte dos aumentos na fatura de água são na ordem dos de 37%, o representante garante ter “faturas de comerciantes que apresentam 501% de aumento”, em relação aos meses anteriores à atualização do tarifário. Na mesma declaração, pede que seja feita uma auditoria aos SMS.
Para ficar mais esclarecido quando a este tema, leia as entrevistas ao vereador eleito pela CDU, Nuno Costa, e ao vereador do Movimento Independente Setúbal de Volta, Paulo Maia. Reveja, também, o primeiro artigo sobre o assunto e a resposta de Dores Meira, em relação às acusações partidárias.

