Sob o mote de recordar — como parte de uma herança —, memórias, experiências, vivências e sentimentos, a MAPS — Mostra de Artes Performativas de Setúbal regressa à cidade, entre os dias 9 e 18 de julho, a decorrer em diversos espaços e equipamentos culturais.
A programação prevê 10 dias de atividades, com Setúbal a ilustrar um “palco aberto à criação artística contemporânea e à participação comunitária”, informa o Município de Setúbal, organizador do evento, em comunicado.
As performances e iniciativas dividem-se entre o espaço A Gráfica – Centro de Criação Artística, Parque do Bonfim, Praça de Bocage, Cinema Charlot – Auditório Municipal, Jardim do Quebedo, Baixa Comercial e Miradouro de São Sebastião.
“Este ano, artistas e público são desafiados a refletir sobre as heranças que recebemos e que deixamos aos outros, como memórias, saberes, afetos, lutas, tradições e experiências que atravessam gerações e ajudam a construir identidades individuais e coletivas”, explica a autarquia.
Os programas são de acesso gratuito, “reforçando o compromisso da MAPS com a democratização da cultura, a formação de públicos e o acesso universal à criação artística contemporânea”, remata a câmara municipal.
As atividades realizadas em espaços fechados requerem reserva prévia, através do email maps@mun-setubal.pt.
Ágora: novo projeto de intervenção artística
Em 2026, uma das iniciativas que integra a programação da MAPS é o Ágora, um projeto de intervenção artística, organizado por “Revoada”, uma plataforma, criada por Margarida Mata, que se foca numa “atividade tripartida: mediação cultural, participação e criação”, explicam os responsáveis em comunicado.
O Ágora, financiado pelo programa PRR, “propõe uma reflexão coletiva sobre as assimetrias sociais, a participação cívica e as heranças do passado colonial que continuam a marcar a organização das sociedades contemporâneas”.
“O que é preciso mudar? Na minha rua, no meu bairro, na minha cidade, no meu país, no mundo e em casa?” são perguntas que ação pretende ver respondidas, uma vez que a comunidade é convidada a “ocupar o espaço público enquanto lugar de encontro, diálogo e imaginação coletiva”.
Inspirado na ágora da Grécia Antiga, um espaço de reunião dos cidadãos, o novo projeto “desenvolve-se através de quatro ações de intervenção artística que cruzam artes visuais, performance, música atravessadas por processos participativos”.
Além disso, a Ágora “envolve as comunidades locais logo na sua conceção, promovendo práticas de acessibilidade, proximidade e apropriação do espaço público”.
“Afirma-se como um exercício de escuta e participação coletiva, onde a arte funciona como ferramenta para questionar, imaginar e construir formas mais inclusivas de viver em comunidade”, remata a mesma nota.
Programação MAPS 2026
9 de julho
21h30, no espaço A Gráfica — “Musseque”, performance do coreógrafo e intérprete angolano Fábio (Krayze) Januário, em parceria com a BoCA – Bienal de Artes Contemporâneas. “Através da linguagem do kuduro, revisita as periferias de Luanda e aborda temas como memória, resistência e identidade”.
10 de julho
21h30, no espaço A Gráfica — “Sobre o Fim”, de Gio Lourenço e Sofia Berberan, “propõe uma experiência performativa que cruza dança, teatro e botânica, explorando a ideia de transformação e renovação através da relação entre seres humanos e plantas”.
11 de julho
Entre as 11h30 e as 12h30, na Baixa comercial — “Performances no Bairro”, “iniciativa que transforma a Baixa comercial de Setúbal num percurso artístico onde escritores, bailarinos, atores, mágicos, caricaturistas, tatuadores, artistas plásticos e performers ocupam lojas, montras, varandas e espaços públicos”.
Entre as 17 e as 20 horas, no Espaço Ágora, instalado no Jardim do Quebedo — “encontro animado por DJ Batida, acompanhado de um lanche comunitário com cachupa“.
21h30, no espaço A Gráfica — Concerto multimédia “Sons de Resistência”, de Luís Bittencourt.
12 de julho
Entre as 15 e as 18 horas, no Parque do Bonfim — “MINI-MAPS”, programação pensada para famílias e crianças, “com jogos tradicionais em madeira, instalações sonoras participativas, oficinas criativas, dança contemporânea para a infância, teatro físico e concertos”.
14 de julho
21h30, no Cinema Charlot – Auditório Municipal — Exibição do documentário “Peixe p’ó Gato — Histórias da Luta pelo Pão em Setúbal”, realizado por Leonardo Silva, que “resulta de um trabalho de investigação histórica e recolha de testemunhos sobre a pobreza, a desigualdade e as formas de resistência que marcaram a história social da cidade”.
16 de julho
21h30 na Praça de Bocage — “Sombras”, “uma criação de teatro visual e poesia física da companhia Teatro Só, que aborda a violência doméstica através de uma linguagem acessível e profundamente emotiva”.
17 de julho
18 horas, no Espaço Ágora — “Reflexão sobre a memória coletiva e as questões sociais, numa conversa sobre o projeto teatral ‘Carga’ que investiga o papel das mulheres trabalhadoras na construção da sociedade contemporânea”.
21h30, no espaço A Gráfica — Espetáculo “Sinto, Logo Existo”, da Noisy Crew, que “aborda a saúde mental, a identidade e a importância do reconhecimento das emoções enquanto experiência fundamental da existência humana”.
18 de julho
17h30, no espaço A Gráfica— Conversa sobre teatro comunitário, dinamizada pelo projeto Gaivina de Agueiro.
18 horas, no Miradouro de São Sebastião — Apresentação de “Tecido Comunitário”, projeto de teatro comunitário, “desenvolvido em cocriação com moradores, com idades entre os 6 e os 98 anos, que resulta de um processo de recolha de memórias, histórias de vida e experiências do território, afirmando a cultura como ferramenta de inclusão, participação e transformação social”.
Festa no espaço A Gráfica – Centro de Criação Artística, ao som de “A Minha Vida Dava uma Banda Sonora”, projeto musical da portuense Susana.

