Quinta-feira, 23 Abril 2026
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Nuno Cruz: “Este executivo é apenas uma parte de uma grande equipa”

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Quando era jovem, Nuno Cruz, o atual presidente da União das Freguesias de Setúbal, moldava o tempo entre ouvir e falar de política, entre família e amigos, e conseguir perceber todas as novidades, com consultas de jornais, sobre as últimas aquisições do mundo do futebol, como manda um verdadeiro dedicado a completar a caderneta.

Ao longo dos anos, enraizou-se mais na política, entre idas e vindas, e entre a paixão pelo desporto, que sempre teve. Depois do PCP, juntou-se, em 2021, ao Partido Socialista, por quem foi eleito, nas últimas eleições autárquicas, realizadas a 12 de outubro, pelos cidadãos para liderar uma das freguesias durante o quadriénio 2025-2029.

Em entrevista ao Revela Arrábida, fala sobre quais foram as suas bases fundamentais, as ideologias, projetos e visões — enquanto pessoa e político. Na conversa, abordou ainda o tema do estado financeiro atual da União das Freguesias.

Quando pesquisei sobre si, nomeadamente nas redes sociais, percebi que estava na arbitragem. E em tom um bocadinho de provocação, queria questionar se é mais criticado, ou se lhe chamam mais nomes, na arbitragem ou na política?
Sou o Nuno Cruz, nascido e criado em Setúbal, na antiga Anunciada, em Montalvão, e, aos nove anos, fui para o Casal das Figueiras. Indo diretamente a questão que levantou, não lhe sei responder. A única coisa que sei é que, no futebol, as pessoas dizem de uma forma muito fácil. Na política, às vezes, escondem um bocadinho para dizer mais pelas nossas costas. Mas garanto que no futebol ouvimos mesmo muitos, muitos palavrões, mas nós habituámo-nos. Isso acaba por ser uma coisa boa para ter aqui alguma capacidade de ver a crítica.

E o que é que fazia na sua profissão?
A arbitragem sempre foi um hobby e até há uns anos, por questões profissionais. Comecei por trabalhar muito novo, na Portucel, onde estive dez anos, e depois terminei o meu curso de Ciências do Desporto, vim estagiar na Câmara Municipal de Setúbal e aqui fiquei durante 14 anos, mais ou menos, na divisão de desporto, e foi lá que exerci as funções de Técnico Superior de Desporto, e é a minha atual profissão. Mais recentemente, estive no IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude). Saí em 2022 da Câmara Municipal de Setúbal e fui trabalhar para lá, na Direção Regional de Lisboa e Vale do Tejo, sempre ligado à gestão, neste caso à gestão desportiva, mais especificamente à gestão de programas desportivos.

Onde é que surge a política, no meio disto tudo?
A política entrou na minha vida mesmo muito novo. Na minha família, eram todos apaixonados por política. O meu pai, os meus tios, as minhas tias… falava-se muito de política, e todos muito ligados, grande parte deles, ao Partido Comunista. Portanto, desde muito pequeno que eu me habituei ao debate político em casa, nos cafés, entre amigos, e aos 18 anos, através de um amigo que tinha comum com o meu pai, fui convidado a ser militante do Partido Comunista e então entro no PCP de Setúbal e é aí que se dá a minha ligação com o PCP. Já fui eleito deputado da Assembleia de Freguesia da Anunciada, pelo PCP, no mandato de 2005. Depois, saio do PCP no início de 2009, e aí, sim, estive ausente perto de dez ou 11 anos e depois, através do convite do Fernando José, em 2021, para entrar no projeto do Partido Socialista, é que volto à política.

E o que é que fez mudar do PCP para o PS?
Quando entrei, aos 18 anos, para o PCP, praticamente só tinha ouvido falar de PCP. Era uma pessoa muito apaixonada pelo desporto e até essa idade, tudo o que lia estava relacionado com desporto. Era apaixonado por cadernetas de futebol, era aquele típico cromo da bola que devorava nomes de jogadores, sabia praticamente os nomes dos jogadores todos e dos campeonatos portugueses, italiano, espanhol. Na altura não havia Internet, então tinha de ser uma pesquisa constante nos jornais para sabermos as transferências, etc. E depois, a partir dos 18/19 anos, começo a afastar-me um bocadinho do desporto, mais até do futebol, não a questão do atletismo, porque praticava, mas mais do futebol e como sempre gostei de ler, e tinha esse hábito, comecei por ler o livro mais importante, que começou a mudar a minha visão dentro da política. Foi um livro do Pacheco Pereira, muito interessante, sobre Álvaro Cunhal e a visão que ele tinha, que não é uma visão negativa, pelo contrário, é uma visão até positiva, mas que demonstrava as coisas boas e as coisas más do PCP. Aquilo, suscitou alguma curiosidade, comecei a ler algumas coisas.

Tinha, também, as suas visões.
Havia uma componente minha, que já tinha, que era um grande defensor de iniciativa privada, mesmo quando fui para o PCP, sempre defendi a iniciativa privada, nomeadamente nas micro, pequenas e médias empresas. Tive boas discussões dentro do PCP, porque, na altura, o partido praticamente não falava sobre as pequenas e médias empresas. Hoje, felizmente, já fala desses interesses, mas comecei a perceber que havia alguns assuntos que eram fraturantes na minha forma de ver a sociedade, em relação ao PCP. Depois, claro que houve uma situação interna, no início de 2009, que já tinha a ver com a discussão política para os candidatos das eleições autárquicas de 2009. Percebi, claramente, que aquilo que vendiam dentro do PCP, na minha opinião, não era exatamente o que faziam na prática. A minha saída é um bocadinho assim.

Qual é que considera, assim sendo, a sua tendência política?
Continuei a ler muito, sempre com uma tendência, claramente, de Esquerda. Hoje, considero-me uma pessoa de Centro-Esquerda, que defende muito a iniciativa privada, mas supostamente, aqui, há uma costela de Liberalismo em algumas matérias, mas continuo também nas áreas da saúde e de educação a ter aqui uma costela mais de Esquerda, portanto, às vezes é difícil definir-me enquanto político. Depende muito dos assuntos. Costumo dizer uma frase, que é: nenhum partido tem todas as soluções corretas, para todos os problemas, e que devíamos todos ouvir-nos mais uns aos outros. O PSD terá, certamente, nalgumas áreas, boas soluções para resolver problemas, o PS terá muitas soluções, para muitos problemas, também, o Bloco de Esquerda, o PCP, o PAN, o Livre, a Iniciativa Liberal… terão também outras soluções, boas, para alguns problemas.

Podia existir uma partilha de ideias, ou um trabalho de “equipa”, no fundo?
Eu acho que se trabalhássemos todos, mais em equipa, certamente que teríamos melhores soluções. Infelizmente, na política nem sempre é fácil trabalhar em conjunto. Também não é fácil de explicar o porquê. Mas basicamente este é um bocadinho o “Nuno político”, aquela pessoa que tem muita abertura para ouvir as opiniões dos outros e das outras escolas políticas, como queiram chamar.

Pegando no “Nuno político”, que agora é presidente da União das Freguesias: o resultado surpreendeu-o de alguma maneira? Estava à espera?
Nem me surpreendeu, nem deixou de surpreender. Eu sou uma pessoa que falo muito, não consigo dar respostas, normalmente, diretas, quando são assuntos desta natureza. Mas a nível de pensamento, sou muito pragmático. Queria mesmo muito vencer, porque quando aceito um desafio, tem de ser para vencer. Não há outra forma de estar na vida, até porque eu representava um partido político. Representava uma equipa, representava muitos independentes, também, e não os podia deixar ficar mal. Tudo foi feito para ganhar, por isso não posso dizer que me surpreendeu. Pelo contrário, até acredito que, e eu disse numa entrevista anterior, se tivéssemos adotado alguma estratégia de campanha, tendo por base algumas características de cada junta de freguesia, e não sei se seria uma campanha muito linear, olhando mais para a perspectiva de cada junta de freguesia, até podíamos ter tido resultado um bocadinho melhor.

Mas considera um bom resultado?
Não considero, de todo, um excelente resultado. Tenho ouvido muitos candidatos, à volta dos 30 por cento, que foi o que eu tive, a dizer que foi uma grande vitória. Não acho que foi uma grande vitória, só quando temos 40/50 por cento. Mas foi a vitória possível e que me responsabiliza ainda mais. Tem de se saber governar a partir dos 30 por cento que obtive, e houve 70 por cento da população da freguesia que não votou neste projeto, e que não nos podemos esquecer. Essa é uma responsabilidade acrescida. Mas pronto, foi uma vitória e, como todas as vitórias, claro que foi boa. Penso que, se calhar, foi exatamente o contrário, e existiam outras forças políticas que ficaram mais surpreendidas com esta vitória do Partido Socialista, e que achavam que estava claramente ganho. Eu acreditava muito, mas como sou uma pessoa que vivo no mundo do desporto, em que sabemos que o resultado é no fim, é aguardar pelos resultados e depois, então, saborear um pouco a vitória.

Mas, digamos, há um ano, pensaria que se ia candidatar a presidente da União das Freguesias? Onde é que surge esta ambição?
Em novembro de 2024 já tinha certeza que ia ser candidato a candidato. Ou seja, o, presidente da concelhia do Partido Socialista de Setúbal já tinha conversado comigo várias vezes ao longo do mandato. Como sabem, eu fui o número 5 da lista de vereação, não fui eleito direto, mas por ser o primeiro em regime de substituição, muitas vezes estive em reuniões de câmara. Aliás, eu próprio, muitas vezes, também não conseguia estar, e tinha de ser substituído, e passado ali uns meses, a seguir à eleição, o Fernando José começou a ter algumas conversas comigo, a achar que eu tinha algum perfil, que podia se adequar à União das Freguesias de Setúbal, podia dar um bom candidato, etc, e mais ou menos a meio do mandato, começámos a amadurecer estas ideias, e ali, a meio de 2024, falou claramente comigo, que tinha interesse que eu fosse candidato pelo Partido Socialista à União das Freguesias. Como também devem saber, nós somos um partido democrático, temos estatutos e temos de cumprir regras. Os candidatos da das juntas de freguesia são aprovados em Assembleia de Militantes, e nessa assembleia, podiam ter surgido um, dois, três candidatos, e todos devíamos ser colocados a votos. Não aconteceu. Fui candidato único, portanto, tinha garantido a aprovação como candidato, como cabeça de lista.

E, mesmo em regime de substituição, considera que ser vereador da câmara pode ter dado algum traquejo para este papel que vai assumir?
Uma coisa deu, de certeza: ter muita paciência e muita calma para ouvirmos aquilo que, por vezes, não concordamos, e que dá vontade de reagir, e sermos mais reativos. Dizemos certas coisas que nem sempre, politicamente, são corretas. E, para mim, sobretudo deu isso. E depois, saber analisar os documentos. Sou Técnico Superior de Desporto, com Mestrado 2 na área da Gestão, mas não domino as leis, nem muitas áreas, portanto, ser vereador faz aprender um bocadinho de várias matérias, saber procurar na legislação, a que as propostas que são apresentadas, depois temos de enquadrar com aquilo que são os nossos interesses políticos, aquilo que são os interesses da população, e fazer essa análise.

Foi uma vereação sem pelouros…
Sendo vereação sem pelouros, não temos a experiência executiva, não é? É mesmo estar na oposição, mas o Partido Socialista foi uma oposição muito responsável, e nunca houve uma proposta que deixasse de ser analisada. Nós tínhamos os conteúdos divididos pelos vários vereadores, e eu estava relacionado com o desporto, com a juventude, com a cultura, a mobilidade, também, e outras áreas. Sempre tive o cuidado de analisar essas propostas e dar a minha opinião. E acho que foi um bocadinho isso. Foi mesmo uma capacidade de saber. Dominar um bocadinho mais outros conteúdos, que, se calhar, no início do mandato, não dominava tanto.

Como disse, fui às redes sociais, e existiu uma publicação que despertou interesse. Tinha uma lista de pontos sobre si e, entre eles, escreveu o que é que desejava para o concelho de Setúbal: “Mais emprego qualificado”. Como é que vai cumprir isto?
Esse desejo resulta também um pouco da minha experiência no IPDJ. Trabalho com jovens. Nós recebemos jovens no IPDJ, e aquilo que nós sentimos é que este concelho se desenvolveu em algumas áreas, mas na área do emprego, infelizmente, se nós formos ver, e não tenho aqui dados concretos neste momento para vos apresentar, o rácio entre emprego qualificado e não qualificado, provavelmente, deve andar à volta dos 90 e10 por cento. E, se calhar, estou a ser simpático. O que é que quero dizer com isto? Continuamos a abrir supermercados, lojas, unidades hoteleiras, etc., e que, infelizmente, que, e é fácil demonstrar, através de estatística, têm vencimentos mais baixos. O rendimento que esses jovens obtêm, nessas profissões, é mais baixo.

O que é que queria ver diferente nesse cenário?
Gostava de ver em Setúbal a fixação de empresas, muitas delas nas áreas das tecnologias, da área digital. Nós temos um Politécnico que forma muitos jovens, todos os anos. E muitos são de Setúbal, outros não, e podiam ficar aqui, e criar riqueza para o nosso concelho, criando empresas, novos empregos, para termos aqui mais jovens. Mas quando falei sobre isto [mais emprego qualificado], estava enquadrado num projeto mais amplo, do Partido Socialista. Uma União de Freguesias não tem ferramentas, pura e duras, para trabalhar as políticas de emprego, mas podemos fazer de outras formas.

Como por exemplo?
Temos em um evento que se chama Fest’Asso. Eu não sei se vai manter-se ou se vai ter outro nome, mas uma coisa que nós já decidimos neste executivo é que os objetivos deste evento têm de ir além do divertimento e da promoção da cultura. Temos de aproveitar, para criar aqui um momento de ter empresas que possam promover os seus projetos junto dos jovens, até porque investimos muito dinheiro nestes eventos e acho que nós temos de dar outro tipo de dimensão. É um projeto diferente do atual, pura e simplesmente de difusão. Fazemos algo que dê riqueza e que deixe uma marca. Podemos dizer amanhã “olha, um jovem que esteve na Fest’Asso, contactou a IBM, ou contactou uma Microsoft, e que contactou com outros jovens, porque criamos ali um stand e podíamos desenvolver atividades em que os jovens se conheciam, e, através dos seus conhecimentos, criaram uma startup etc”.

Mas era para um projeto com o PS na câmara municipal…
O projeto tinha o Partido Socialista a governar a Câmara de Setúbal e, aí, íamos apresentar alguns projetos já mais relacionados com a questão dos investimentos em Setúbal. Não sendo o executivo do Partido Socialista, temos de tentar e, esperemos, que nos próximos quatro anos, ligarem algumas das nossas propostas, também com as propostas do movimento independente, que ganhou a câmara, e perceber onde é que podemos chegar para promover aquilo que considero importante, que é a qualidade do emprego.

Outro ponto que escreveu nessa lista, que enumerou, e que, esta sim, está nas suas competências, suponho: “Uma primeira medida: conhecer todos os trabalhadores”. Já o fez?
Deixe-me dizer que, se calhar, você neste momento recorda-se melhor das coisas que eu escrevi do que eu próprio [risos]. Mas sei praticamente tudo o que escrevi, porque no fundo é aquilo que penso. Sim, nós entramos no dia 4 de novembro na Junta de Freguesia, e foi dada indicação para convocar todos os trabalhadores para dia 5 e, às 9 da manhã, estávamos na União Setubalense a reunir com todos, ou pelo menos todos os que puderam estar presentes.

Mas este “conhecer” vai no sentido de proximidade com os trabalhadores?
O primeiro objetivo é demonstrar que este executivo é apenas uma parte de uma grande equipa. Trato os funcionários por colegas, porque é isso que vim trazer para a junta. Não há uma separação entre executivo. Há responsabilidades que fazem parte do executivo e há responsabilidades que fazem parte dos técnicos da junta, mas o facto de tratar por colegas é ao mesmo tempo para motivar e para sentirem que estamos todos a usar a mesma farda. E essa reunião foi para os motivar e demonstrar que fazemos todos parte do mesmo projeto, e temos de começar a conhecer as caras, e a conhecer os nomes. Faz-me confusão cruzar-me na rua com um trabalhador, e não lhe falar, porque ainda não o conheci.

Ainda não conseguiu conhecer todos, suponho, em tão pouco tempo.
Ainda não fixei todas as caras, e todos os nomes, mas este foi um primeiro passo para deixar a porta aberta. Nós tínhamos algumas informações, e que não posso confirmar neste momento, que já havia algum afastamento de parte dos trabalhadores da junta com o executivo que estava a liderar. Essa imagem podia passar para nós e não queríamos isso. Achámos que era necessária a abordagem logo no início, para mostrar que é mesmo importante conhecer os trabalhadores e começar a trabalhar com eles. Cumpri todos os compromissos que eu disse ao longo da campanha.

Escolheu para “primeira obra: Centro de Apoio à Violência Doméstica”. Porque é que escolheu este centro de apoio?
Quando disse “primeira obra”, estou a falar de primeira obra, mas de dimensão. Não estamos a falar de primeira obra mais geral porque, nestes últimos dias, já arranjamos algumas calçadas, já fizemos alguns arranjos.

Sim, claro, entendi que este destaque era para algo, digamos, maior.
Exato. Desde novo, sempre tive uma ligação próxima com as causas. Seja animais, questões da defesa da homossexualidade, dos direitos das minorias, etc. A violência doméstica é algo que me preocupa desde cedo. Este espaço, que nós queremos construir, neste mandato, tem a ver com a necessidade de, se existir uma mulher, ou um homem, mas infelizmente, acontece mais com as mulheres, que sofra de violência doméstica e que tenha de sair de casa naquele dia, porque se ficar em casa, vai continuar em contacto com o agressor, tenha aqui uma primeira oferta, logo, imediata.

Estamos a falar de um espaço físico, correto?
Queremos mesmo construir um espaço físico, sim. Pode ter três, quatro, cinco quartos. Isso não está pensado, em que temos alguém que também é suposto estar lá a dar apoio, seja psicológico, ou técnico, a nível de quais são as respostas de apoio que existem na Segurança Social, e noutras áreas, para aquela vítima, ser encaminhada, no fundo. O que nós queremos é ser a primeira porta, a primeira mão amiga para essas pessoas que sofrem. Aquilo que nós sentimos é que ainda existe muita violência escondida e, se calhar, muita dessa violência que está escondida, está, exatamente, porque a pessoa pensa “e se eu gritar, quem é que me vai socorrer”. Vamos ter de conversar, posteriormente, com a Segurança Social, e com a Câmara de Setúbal.

É algo pensado a longo prazo.
Sim, estamos a falar de um investimento que, provavelmente, é de muitos milhares de euros. Não são investimentos que se fazem sozinhos. Mais uma vez, e isto vai ser sempre transversal às minhas respostas, provavelmente: este era outro projeto que estava pensado fazer com o PS na câmara. Quando nós criámos os 50 compromissos, todos estavam articulados com a Câmara Municipal de Setúbal. Uns, sabemos que não precisamos da câmara municipal, mas há outros que, claramente, que tem de haver uma ligação com a autarquia, porque são de uma dimensão grande, e que não temos ou capacidade financeira, ou capacidade de gestão, ou temos de criar protocolos para gestão conjunta.

Quais é que são as medidas que pode destacar, e que estão ao seu alcance, que gostaria de ver feitas mais imediatamente?
Ao contrário de outras campanhas, fui muito simples naquilo que disse que ia fazer. Tenho estes quatro ou cinco projetos principais, que chamo de maior dimensão, mas aquilo que quero mesmo é limpar a freguesia. É cuidar a freguesia, os espaços públicos, ajudar a melhorar a mobilidade das pessoas, nas suas várias vertentes, e dar uma sensação de maior segurança na freguesia.

Estamos a falar de videovigilância?
Sim, ao contrário de outras forças políticas e até do meu próprio partido, sempre defendi que nós devíamos ter um sistema de vigilância que não seja exclusivo no centro histórico da cidade. O centro histórico é um local muito importante porque temos de vender, lá fora, que a nossa sociedade é segura. Quem visita a cidade, não visita as Amoreiras, nem o Casal das Figueiras, ou o Grito do Povo, visita as principais atrações, que estão no centro histórico. Nós temos de transmitir segurança aos comerciantes, que deixam ali os seus pertences, que têm para vender, mas a verdade é que, depois, existem 90 e muitos por cento da população de Setúbal que vive nos bairros. E que sai e vem para a cidade, vem trabalhar, ou vai para Lisboa, vai para outros locais e deixa os seus pertences. Nós temos as nossas viaturas, porque a maior parte das pessoas não têm garagem, na rua, e, infelizmente, eu vivo na zona das Amoreiras, e tem acontecido sistematicamente assaltos, e até vandalismo, e é por isso que eu defendi desde a primeira hora que nós temos de alargar esta videovigilância também para os bairros. Claro que é um projeto complexo porque temos aqui um conjunto de instituições e de legislação que têm dificultado a colocação de vídeovigilância também nos bairros. Acho estranho porque, por exemplo, em Londres, sabe que assim que tira o pé do avião está a ser filmado e não consegue andar em nenhuma rua que não tenha vigilância.

Qual é que será a relação que vai existir, nas suas pretensões, entre a União das Freguesias e a Câmara Municipal de Setúbal?
É uma pergunta fácil e difícil de responder, porque na verdade, as instituições, em si, têm relacionamento ou não têm relacionamento? Pergunto. É quase uma questão filosófica. São as instituições que têm relacionamento ou são os representantes das instituições? Não é fácil responder. Eu acredito, e quero acreditar, que o relacionamento entre as juntas de freguesia e a Câmara Municipal de Setúbal vai ser bom, mas há um conjunto de fatores que me deixam preocupado.

Quais são?
Desde logo, e não os escondo, e disse na entrevista a O Setubalense, que não morro de amores pela Maria das Dores Meira, mas isso faz parte da vida. Assim como a Maria das Dores, certamente, não morre de amores por mim, e por muitas outras pessoas. É mesmo assim, mas ao longo da vida, criamos mais empatia como umas pessoas, e menos com outras. Na política, então, isso é uma coisa muito habitual. Agora, há algo que sei, e disse isto antes da campanha, após a campanha e após a tomada de posse. Aliás, disse no meu discurso de tomada de posse: nós temos um projeto, quer na câmara, quer na junta, para defender os interesses dos fregueses. Passa por dar melhor qualidade de vida, e dar mais oportunidades, não é? E isso só acontece se nós tivermos um bom relacionamento e se conseguirmos trabalhar em cooperação. Porque as juntas praticamente, atualmente, não fazem nada sem uma câmara municipal, mas a câmara municipal também não fará nada se estiver de costas voltadas com o somatório das cinco juntas de freguesia. Eu até costumo dizer que é o braço armado da câmara municipal.

Porque considera isso?
É a primeira entidade que vai ao terreno fazer as coisas e está mais próximo das pessoas. Depois, acho que temos de ser todos adultos na sala. Acho que devemos atirar para trás das costas situações do passado, as divergências políticas, e trabalhar em conjunto. Os primeiros sinais são preocupantes, confesso, e aqui não quero de forma nenhuma que pensem que é má-fé da minha parte, porque é só mesmo a análise dos primeiros sinais.

Qual é essa análise?
No primeiro dia em que entramos na junta, solicitámos uma reunião à presidente da Câmara Municipal de Setúbal. Ainda não tivemos resposta. Eu não vou dizer que foi por desinteresse de reunir connosco, ou que foi por pouca vontade. Acredito que, neste momento, recebeu uma instituição que está com algumas dificuldades financeiras. Uma instituição, provavelmente, que não tem a organização que a própria Maria das Dores deixou há quatro anos. Houve alterações, e ela, e o executivo dela, querem colocar novamente aquela organização à imagem do pensamento político deles e daquilo que querem para o concelho. Tornar a câmara o mais eficiente possível, tal como nós também estamos a fazer na junta, mas o problema é que o tempo não para. O relógio está sempre a andar. Nós tivemos uma tempestade, uns dias depois da minha tomada de posse. E nós tivemos de tomar decisões, tivemos de ir para o terreno, e teria sido interessante termos tido mais coordenação com a Câmara Municipal de Setúbal.

Porquê?
Estávamos a proteger a população e os seus bens. Essa coordenação não aconteceu. Também não vou dizer, para não ficar escrito, que foi por desinteresse da autarquia. Faz parte deste processo agora de arrancar com estas máquinas que ficaram um bocadinho paradas. Fizemos ontem [18 de novembro] um segundo pedido de reunião, portanto, é muito recente. Estamos à espera de resposta. Sinais… não sei. Ontem [18 de novembro] recebemos a informação que as viaturas que estão ao serviço da higiene urbana e das obras das juntas de freguesia estão proibidas de abastecerem em Poçoilos, no centro de abastecimento [ler artigo relacionado com o tema aqui]. Não sei porque é que essa decisão aconteceu. Isso está previsto na descentralização das competências. Portanto, há um contrato que está assinado com as juntas de freguesia e que, claramente, diz lá que estas viaturas vão abastecer. Não sei qual é a base legal para esta decisão. Aguardo, sinceramente, para saber o que é que se está a passar, e esperemos que este seja só um episódio pontual, mas que, brevemente, possa, numa próxima vez, em que vocês tenham interesse em conversar comigo, vos dizer que o relacionamento entre a junta e a câmara, ou os representantes da junta e da câmara, é excelente e que isso está a produzir efeitos para a melhoria da qualidade de vida dos nossos fregueses.

Recentemente, numa entrevista que deu ao jornal O Setubalense, mencionou que existia “mais de 200 mil euros de pagamentos em atraso” deixados pelo anterior executivo. Entretanto, a CDU fez um comunicado, com desmentido, e acusou-o de “disfarçar a incompetência e falta de projeto” com as afirmações, dizendo que o valor mencionado diz respeito a “compromissos orçamentais legalmente assumidos”. O que tem a dizer sobre isto?
Seria muito fácil aproveitar este momento, logo a seguir a alguma comunicação que saiu da CDU, e da própria Fátima Silveirinha, em que fizeram a crítica que tinham de fazer, e a crítica faz parte da política. Já a ofensa, tenho mais dificuldade em aceitar isso.

Sentiu-se ofendido?
Estamos a gerir uma junta, exatamente há duas semanas. Tivemos uma tempestade que provocou duas inundações em Setúbal, e podia ter provocado uma terceira inundação. Fez-me vestir a farda e ir para o terreno, com os trabalhadores. Andei a desentupir esgotos, porque quem conhece sabe que é assim. E depois vir dizer que existe incompetência. Eu não sei qual é a base para esse pensamento. Não sei quem é que consegue demonstrar as suas capacidades em duas semanas. Há uma coisa que eu sei: demonstrei a capacidade para estar no terreno, mostrei humildade, mostrei que, se calhar, tenho capacidade de motivar os trabalhadores, mesmo depois de ter tomado algumas decisões que são difíceis, para melhorar esta ligação que nós queremos ter com os trabalhadores. Não nos deixamos de sentir um bocadinho ofendidos. Agora, sou árbitro de futebol, portanto, se fosse a preocupar-me com isso, já tinha deixado de ser árbitro há muito tempo.

E o que gostaria de acrescentar às declarações escritas?
Ao contrário da Fátima, vejo nela uma pessoa com garra, com determinação. Fiz um elogio à Fátima na minha tomada de posse. Isso não pode ser esquecido. Aliás, ele está no YouTube, é fácil constatar isso. Ela recebeu uma junta de freguesia de uma forma que não acho que seja assim tão digna como isso para a política. Teve três elementos do executivo que saíram da junta. Havia um compromisso com os eleitores para quatro anos e teve de ser ela a agarrar a liderança desta junta, a dez meses de uma eleição. Acredito que teve muitas noites em que não dormiu bem. Não tenho culpa se ela recebeu uma junta que já tinha dificuldades financeiras. Que o assumisse e tirasse um pouco de cima dela esta responsabilidade daquilo que aconteceu. Quando entro na Junta de Freguesia, faço, no primeiro dia, uma reunião com a área da contabilidade, e tenho a informação que tenho, dos tais compromissos, que, pode dizer-se o nome que se quiser, mas eu aprendi, em casa, com uma contabilista, que uma fatura que não é paga, é uma dívida.

É isso que considera que existe?
O compromisso é algo que está em fase de pagamento, dentro do período normal de pagamento. O que não está dentro do período normal de pagamento, para mim, é uma dívida. Podemos arranjar os nomes técnicos que quisermos, e os nomes mais bonitos para dar a volta à situação. Eu nem disse que isto aconteceu por má gestão. Falei na questão do exemplo, sim, que se fosse uma empresa, estaria em falência, mas eu acho que isso foi para dar o sinal que nós temos de fazer uma gestão responsável, uma gestão mais profissional para esta freguesia.

Porque é que fez essa comparação?
Porque a verdade era mesmo essa. Gestores, no privado, que apresentem resultados que esta junta tem, neste momento, se calhar, já não estavam nessas empresas, só que os políticos conseguem ficar durante os quatro anos, porque é pelo mandato, e bem, que é mesmo assim que tem de funcionar a democracia.

E que considerações tem mais a acrescentar?
Voltando, então, à resposta. Ao contrário daquilo que fizeram comigo, eu até, após as eleições, tive boas conversas com a Fátima, fizemos reuniões de trabalho, ela teve o cuidado de passar o testemunho de uma forma que, eu acho, muito adequada e justa, e que eu espero fazer daqui a quatro anos, se tiver de passar, para quem vier a seguir. Mas também podia ter dito, porque a pergunta se havia dívidas na junta foi feita, e a resposta que foi dada na altura foi “Nuno, como deves imaginar, há sempre dívidas. Faz parte deste processo. Agora, temos de ir arranjando formas de pagar”. Esta foi a resposta. Mas também podia ter dito que o somatório de todas as faturas, que já passaram o prazo de pagamento, ultrapassa os 200 mil euros. Aliás, neste momento, e no final do mês, onde vão cair mais algumas faturas, esse valor vai aumentar. O que interessava era saber se a junta tem 200 mil euros de dívidas, ou despesas para pagar, ou compromissos assumidos, mas até ao final do ano vai receber verba desses processos. Porque os compromissos são de 2025. Se eu assumir um compromisso com alguém para 2026, como já comecei a assumir, não tenho dívida, porque vou pagar durante o ano de 2026. Agora, se tenho uma empresa que emprestou serviços na área da jardinagem, em abril, maio e junho, e estou em novembro, e não paguei alguma dessas faturas, claramente, há aqui uma dívida. É uma responsabilidade que este executivo agora tem perante esses pagamentos. O PCP é tão defensor dos trabalhadores e não se preocupa por estas faturas não estarem pagas e poder pôr em causa postos de trabalho nessas empresas? A empresa de jardinagem que veio junto de nós dizer, claramente, se não começarmos a pagar, pode suspender o serviço… será que já não teve de dispensar trabalhadores?

Isso aconteceu?
A empresa, claramente, informou, através dos nossos serviços, que teríamos de fazer algum pagamento porque não podiam continuar a suportar o trabalho, e prestar o serviço, e não obter receita desse serviço.

Portanto, não têm qualquer período, ou estimativa, para quando é que esse dinheiro começará a chegar?
Vou dizer muito abertamente: o problema da Fátima, e do executivo anterior, foi não terem tido a coragem de dizer que o problema financeiro da junta tem a ver com uma dívida da autarquia à Junta de Freguesia. Percebi logo no primeiro dia. Ou seja, este problema que existe, financeiro, na junta, pode deixar de existir se o executivo, agora liderado pela Maria das Dores, chegar à União de Freguesia e dizer “está aqui os valores que a Câmara Municipal de Setúbal vos deve”.

E estamos a falar de, aproximadamente, que valores?
Há algo que se chamam os adicionais à descentralização das competências. No fundo, é um acertar de contas entre aquilo que está protocolado, mas depois há as despesas reais que vão acontecer ao longo do ano. Vou vos dar um exemplo: quando o protocolo foi feito, a tabela salarial da função pública tinha um valor, mas, entretanto, vão havendo acertos ou vão havendo aumentos salariais, e isso não estava previsto. Ora, se as juntas não têm capacidade de se financiar por outras formas, tinham de despedir trabalhadores, provavelmente, para conseguir continuar a sobreviver. Isso não pode acontecer, não é? E então o que é que acontece: há um acerto de contas todos os anos entre a câmara e a Junta de Freguesia, e depois tem de vir um valor da câmara para a junta para completar esse maior bolo que vem da transferência das competências. E a verdade é que a Câmara Municipal de Setúbal, segundo informação que tenho, não somente na União das Freguesias, mas também nas outras freguesias, têm alguns anos em atraso. Neste momento, no nosso caso, é 2024 e 2025, mas noutras freguesias até penso que vai mais atrás.

Mas tem um montante?
Deverá rondar cerca dos 412 mil euros, mais ou menos. Ora, se tenho 206 mil euros, mais ou menos, de despesas para pagar, e se tenho uma dívida, para com a junta, de 400 mil e tal euros, claro que a situação financeira da junta, se for paga, passa de má a boa. E, certamente, não teria dito o que disse, porque não o disse com o propósito de denegrir a imagem política do executivo anterior. Se quisesse, tinha feito logo durante a campanha, e não o fiz. Eu acho que o problema da Fátima foi que não quis assumir que o grande problema é aquilo que não foi feito pela CDU quando estava no executivo da câmara municipal, por também terem dificuldades financeiras, e vem agora passar a responsabilidade para mim, chamando, não sei se foi incompetente, se foi inexperiente. Vou ser sincero, não perdi tempo a ler as coisas que foram ditas. Foi me dito “olha, disseram isto, isto e isto sobre ti”, e pronto.

Está focado em quê, neste momento?
Neste momento, estou focado a trabalhar, praticamente 24 horas. O mínimo que tenho trabalhado são 12 horas, até sábados e domingos. Voltei a conseguir dormir. Sempre dormi pouco, mas já consegui dormir outra vez 5, 6 e 7 horas, porque normalmente dormia 4 a 5 horas. Isto é mesmo a realidade, e o cansaço é tanto. Mas qual é o problema destes episódios? É que foi mais uma injeção de motivação. Sou da área do desporto e há muitas formas de motivar os jogadores, os atletas. Aquilo que a CDU fez só foi passar mais motivação, dar mais força de vontade e trabalhar mais com esta freguesia. Não houve nenhum objetivo de fazer uma crítica negativa ao executivo anterior, senão já o teria feito na tomada de posse. Foi, sim, alertar que estamos a tomar algumas decisões que, infelizmente, vão ser tomadas porque a realidade financeira da junta não é aquela que nós pensávamos que tínhamos.

Assim sendo, quais é que vão ser os seus maiores desafios?
Uma junta, mesmo quando tem dívidas ou compromissos por cumprir, não para. Não vamos parar de trabalhar. Pelo contrário, agora o que nós vamos é ter de definir alguns objetivos imediatos, que se calhar são diferentes daqueles que tínhamos pensado anteriormente. Neste momento o meu grande objetivo é mesmo liquidar todas estas faturas e todas estas dívidas que existem ao movimento associativo. Aquele movimento associativo que a CDU tanto fala, e que tanto defende, mas que deixou na verdade 24 mil euros de apoios por pagar.

Do montante total, esse é o valor em dívida para com o movimento associativo?
Sim. Não vou descansar sem o fazer duas razões simples. Para já, devemos respeitar os compromissos que temos com as empresas, com os prestadores de serviço e movimento associativo, porque isso também lhes dá qualidade financeira, e, assim, podem trabalhar melhor. E depois, porque quero fazer projetos, que tenho pensados para a freguesia, que estão nos nossos compromissos e que necessitamos também da capacidade financeira. Precisamos de ir à banca, porque há alguns projetos que podem ser de maior dimensão, e necessitarem de algum apoio financeiro, e temos de ter uma boa imagem junto da banca. Não quero ir, se tiver de ser para fazer, por exemplo, o projeto do apoio às vítimas [de violência doméstica] e a banca dizer “então, mas vocês têm dívidas”. Fui criado por uma pessoa que fez contabilidade a vida toda e sempre ouvi lá em casa que contas certas é o caminho certo. Era a expressão que a minha mãe utilizava. E é isso que eu quero fazer neste momento. Acertar as contas da junta para nos próximos anos conseguirmos fazer um bom trabalho. Para o ano de 2026 vai ser mesmo isso. E teremos de fazer alguns cortes pontuais, em alguns projetos.

Como é exemplo esta decisão de não fazer o evento para os reformados e cancelar o almoço de Natal?
Essa é uma boa questão e ainda bem que levanta. Fui criticado por não realizar um evento com 400 idosos, penso que nas Caldas da Rainha, segundo a informação que recebi, mas a rubrica, para pagar todas estas despesas, era de 9 mil euros. Agora pergunto: como é que nós pagamos um almoço com 400 pessoas, que estava orçamentado em 20 mil euros? Como é que eu pago o cheque oferta aos filhos dos trabalhadores? Como é que eu pago o almoço de Natal aos trabalhadores? Estamos a falar, com o executivo, de mais de 120 pessoas. Como é que eu pago o cabaz de Natal, que é dado todos os anos, e bem, na minha opinião, aos trabalhadores, e ainda mais um evento que é feito na altura do Natal, junto da comunidade educativa? Como é que pagamos com 9 mil euros? Provavelmente a Fátima deve saber explicar. Deve ser com aqueles tais compromissos que ela fala. Depois pagamos. E pagamos quando? Em 2026. E em 2026, vamos pagar 2027, e depois, em 2027, vamos pagar 2028. E o que é que vai acontecer quando houver eleições em 2029? Vou deixar uma dívida para quem vier a seguir. Não vai acontecer. Se fizermos uma entrevista de final de mandato, garanto-vos que não vai haver dívidas na freguesia. Se existirem dívidas, não volta a candidatar-me.

Vou assinalar o que está a dizer.
Pode assinalar. “Se o Nuno Cruz não conseguir estabilizar as finanças da Junta de Freguesia, não será candidato em 2029”. Para mim é um pilar fundamental. E aí, daqui a quatro anos, é que a Fátima Silveirinha pode dizer se sou ou não incompetente. Agora, acho que foi mesmo só a provocação. Não há problema. Ainda hoje [19 de novembro] falei com ela e vamos falar muitas vezes ao longo do mandato.

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