Deputado Municipal pelo Movimento Independente Setúbal de Volta
Tenho 61 anos.
Vivi toda a minha infância consciente (a partir dos 3 anos) e adolescência em Setúbal. Regressei há 6 anos. A Arrábida, a serra, as praias, o rio, até uma discoteca singular que se chamava “Seagull” são parte da minha formação, da minha identidade.
Andar por ali de bicicleta, ficar na praia até tarde, usufruir de uma liberdade ímpar numa paisagem fantástica é seguramente património de cada pessoa que teve e tem o privilégio de morar em Setúbal, e, parcialmente, de quem nos visita, porque a Arrábida fica na memória.
Recordo-me, com grande saudade, que eu, miúdo, e o meu Pai, já falecido, tínhamos um acordo. Em cada mês do ano, incluindo no Inverno, íamos à Figueirinha dar um mergulho, E sempre o cumprimos.
A Arrábida é liberdade, prazer, fruição.
Creio ser assim que todos a sentimos.
A Arrábida é uma Reserva da Biosfera. Como outras zonas bonitas, inigualáveis, do nosso país e do nosso planeta. E isso implica responsabilidade individual, para além da coletiva, óbvia, no modo como dela fruímos. Cabe a cada um de nós um esforço para a preservar, até para que aqueles que virão depois de nós mantenham esse mesmo privilégio de dela fruir, que foi e é nosso nos dias de hoje.
Este inverno, diversas zonas de Portugal e a Arrábida foi uma dessas zonas sofreram com tempestades de enorme violência. Tal obrigou a cuidados redobrados e a muita ponderação numa permissão de acesso com segurança às praias da Arrábida durante este verão.
Há que privilegiar o acesso por transporte público, por motivos de segurança, sobretudo, mas também é importante fazermo-lo por motivos ambientais e pensarmos em otimizar os acessos por transporte público, desejavelmente não poluente, será pensar no futuro. Acredito numa forma de fazer política capaz de gerar consensos. Há temas que os merecem.
A Arrábida merece consenso. É nossa, é de todos nós, deve ser preservada, deve ser cuidada como cuidamos as nossas casas.
Não podemos cedê-la a intenções individualistas nem desrespeitadoras do povo. Temos de estar unidos contra quem o quer fazer e acreditar na justiça.
Não podemos ceder a uma tentação de fruição desregulada, porque todo o contexto de alterações climáticas nos impõe muito maiores cuidados no modo como lidamos com a Natureza, que está mais frágil.
A Arrábida, a serra, as praias, o parque de merendas, o convento, as árvores, a vegetação, a fauna, o rio, o mar, tudo aquilo é nosso.
Para fruir e preservar. É esse equilíbrio que nos deve orientar. Politicamente também.

