Segunda-feira, 6 Julho 2026
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Homenagens em honra da Nossa Senhora da Arrábida decorrem até domingo

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Já começaram as celebrações em honra da Nossa Senhora da Arrábida, com o programa religioso e popular a decorrer entre 4 e 12 de julho, com destaque para o momento do círio marítimo com embarcações engalanadas em honra da padroeira, que, em 2026, cumpre 134 anos de tradição.

A festa em honra da padroeira iniciou-se a 4 de julho, com a quarta edição do espetáculo “Fado em Oração”, às 21h30, na Igreja da Anunciada, onde a fadista Susana Martins canta “temas das gentes do mar”, acompanhada de Rui do Cabo, na guitarra portuguesa, e Albano Almeida, na viola de fado.

Nos dias 7 e 8 é recitado o terço, às 17h30. Já a 9 de julho há um “Terço Solene” às 20h45, no Monumento ao Pescador, junto da Praia da Saúde, com cânticos pelo tenor João Mendoza.

O calendário marca, a 10, a realização de uma missa de sufrágio pelos sócios da comissão de festas falecidos, às 18h30, na Igreja da Anunciada.

Em 11 de julho acontece um dos pontos altos — o círio marítimo para o Portinho da Arrábida, com saída da Doca dos Pescadores às 8 horas, seguindo-se a procissão até à Praia do Creiro, onde tem lugar um almoço—convívio da comunidade piscatória, sendo necessário que cada participante leve comida.

No domingo, dia 12, as embarcações engalanadas continuam a ser o foco da programação: saem, às 8 horas, da Doca dos Pescadores para novo círio marítimo rumo ao Portinho da Arrábida, seguido de transbordo para o Convento da Arrábida, com missa, às 11h30, seguida de procissão e almoço.

Decorre, depois, o círio para Setúbal, onde a chegada prevista às 19 horas, com nova procissão para a Igreja da Anunciada.

A apresentação das festividades ocorreu a 2 de junho, a bordo da embarcação de pesca “Cefalópode”, que nos últimos anos transporta a imagem da santa no cortejo marítimo, de ida e volta, entre Setúbal e o Portinho da Arrábida.

O Novo Círio de Nossa Senhora da Arrábida é organização da comissão de festas e Paróquia da Anunciada, com diversos apoios, incluindo da Câmara Municipal de Setúbal.

Valter Canas, membro da organização do Novo Círio de Nossa Senhora da Arrábida, salientou que esta é “uma manifestação religiosa, cultural e comunitária que ocorre em Setúbal desde 1892”, sendo “um património vivo onde a espiritualidade se encontra com a cultura popular, onde o mar e a serra se unem numa só celebração, perpetuado ano após ano pelos pescadores e habitantes da região”.

Recordou que o círio “nasceu do coração e da devoção do povo como expressão de gratidão e de promessa” e disse que o programa da edição deste ano une “devoção, convívio e celebração”.

O padre Francisco Mendes, pároco da Anunciada, destacou estes “momentos celebrativos” em que “se agradecem as graças que se recebem” e em que “alguém, também com alguma aflição, as volta a apresentar de novo”, o que “ano após ano marca a vida” da comunidade.

“Sabemos que a maior parte dos círios nasceu por causa de um voto coletivo, numa aflição grande. Sabemos que alguns nasceram por causa de problemas que existiram relacionados com pestes, com grandes epidemias e com grandes aflições, outros com terremotos, outros com pragas na agricultura, outros provavelmente com problemas na pesca e com fomes e carestias. Nasceram todos assim”, referiu.

O diretor-geral da Setúbal Bay — Associação Baía de Setúbal, Rui Canas, disse que “a baía fica muito mais rica com estas festividades”, sublinhando que são “muito importantes porque marcam a identidade de Setúbal”.

“Esta foi a principal manifestação de fé marítima de Setúbal. Depois, por contingências que não vale a pena agora relembrar, foi perdendo algum ‘gás’, mas em 2015 conseguimos trazer novamente a comunidade piscatória para a festa”, remata.

Rui Canas incentivou a “continuar a preservar as tradições”, com necessidade de “adaptar a festividade” à atualidade, “porque sem essa visão as coisas morrem”, já que, se “o mundo evolui e a situação é diferente, os acontecimentos também têm de acompanhar” a nova realidade.

Em representação da Câmara Municipal de Setúbal, Alexandra Manata, do Gabinete do Mar e das Pescas da autarquia, deu os parabéns à comissão organizadora do Novo Círio de Nossa Senhora da Arrábida e agradeceu “a devoção e a entrega dos pescadores e da comunidade piscatória” de Setúbal.

Alexandra Manata relevou que, vontade dos pescadores, decidiu que se ia “voltar a fazer aquilo que anteriormente havia”, nomeadamente uma procissão com a imagem pela praia do Creiro no dia 11, acontecimento que “enriquece” o programa, sendo também forma de “as pessoas sentirem a imagem e fazerem parte dessa grande cerimónia junto da comunidade piscatória, da sua família”.

Carlos Branco, do executivo da União das Freguesias de Setúbal, deixou as palavras de que “a comunidade piscatória está mais reduzida, mas a fé está mais aumentada” por causa dos “problemas mundiais de guerras e de desencontros”, reconhecendo o trabalho feito para que as festividades continuem e agradeceu ao padre Francisco Mendes a missão desta nova edição.

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