Assinalou-se, com aproveitamento de partilha de objetivos, dinâmicas e estratégias, a primeira sessão pública da CIM (Comunidade Intermunicipal) da Península de Setúbal (CIMPS), a 30 de junho, no Cine-Teatro S. João, em Palmela.
O primeiro Fórum da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal, “Península de Setúbal — Uma Visão Estratégica para a Região”, contou com cerca de 200 presença — entre autarcas, empresários, investigadores e agentes do território.
O foco do debate incidiu sobre os acessos a fundos europeus, sem deixar de explorar o caminho para a indústria, talento, turismo e infraestruturas. No encontro, ficou estabelecido que o Plano Estratégico 2028-2034 — suportado pelo Conselho Estratégico da CIMPS — será apresentado no primeiro trimestre de 2027.
O momento ficou marcado como a apresentação pública “formal da construção da agenda estratégica da região para o próximo ciclo de fundos europeus”, diz a CIMPS em comunicado.
Nas palavras do presidente da CIMPS, Frederico Rosa (também presidente da Câmara Municipal do Barreiro), este evento foi o “tiro de partida” de um caminho aguardado, sublinhando que este “não é o tempo de quem divide. É o tempo de quem quer construir em conjunto”.
A CIMPS dá conta que de um dos dados que marcou o dia foi o crescimento demográfico da região. Segundo os dados mais recentes do INE, a península cresceu cerca de 13% entre 2021 e 2025, aproximando-se de um milhão de habitantes — indício de que “algo estrutural está a mudar” na região.
O Fórum marcou o início da elaboração do Plano Estratégico 2028-2034. “No primeiro trimestre de 2027 estaremos todos juntos a apresentar o nosso plano estratégico, participado e que traduz uma visão”, disse Frederico Rosa, adicionando que “a Península de Setúbal vai ser central no desenvolvimento do país na próxima década”.
O presidente da CIMPS recordou a urgência em encerrar o Plano Regional de Ordenamento do Território, “peça-chave que encaixa todos os grandes investimentos”.
Entre debates, seis mesas redondas, inúmeros desafios e resoluções
A programação da iniciativa marcou seis mesas-redondas no decorrer do dia, onde foi debatido “o essencial dos desafios e oportunidades do território: os fundos europeus e a governação multinível; a inovação, a competitividade económica, a indústria e a transição energética; os recursos humanos e a qualificação e a atração de talento”.
O “desenvolvimento e os fatores diferenciadores do território; o turismo e a valorização territorial; e as infraestruturas estratégicas, do novo aeroporto e da terceira travessia do Tejo à alta velocidade, aos portos e à mobilidade metropolitana” foram assuntos discutidos, assinala a mesma nota enviada.
Participaram no Fórum membros do Governo, administração regional, autarquias, universidades, centros de conhecimento, associações e empresas.
De todas as intervenções, “sobressaiu uma ideia comum: com a nova configuração estatística, a península deixa de ser avaliada pela média da Área Metropolitana de Lisboa (AML) e passa a ser reconhecida pela sua realidade, o que lhe permitirá aceder, no próximo quadro comunitário, a taxas de cofinanciamento europeu substancialmente mais favoráveis”.
O mais desafiante, conclui-se, é “definir prioridades claras e ter projetos maduros, prontos a arrancar no momento certo”.
O encerramento, com o vice-presidente do Conselho Intermunicipal, Paulo Silva, e o Secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, ditou a conclusão em uníssono: “a criação da CIMPS foi o momento fundador, o Fórum foi o início do Plano Estratégico e o passo seguinte é a execução”.

