Um espetáculo que “parte de uma das convenções mais célebres da ópera — a de que as personagens cantam até ao último momento de vida, para interrogar o que este género nos diz ainda hoje sobre poder, silenciamento feminino e sacrifício”. É esta parte da descrição da peça “Ninguém Morre a Cantar”, do Teatro O Bando.
A apresentação acontece a 6 de junho, sábado, pelas 15 horas, na sede da companhia, em Vale de Barris (Palmela), com entrada gratuita. Esta é uma perfomance que “cruza teatro e ópera para fazer uma reflexão sobre poder, silenciamento feminino e sacrifício”, explica o grupo em comunicado.
Concebido e interpretado por Sara Belo, acompanhada ao piano por Pedro Vieira de Almeida, tem texto de Rui Pina Coelho e, no final do espetáculo, há espaço para uma conversa com a autora e João Neca.
A ideia para este projeto partiu de Sara Belo, atriz, cantora, professora de voz e experimentalista vocal. “Trabalha frequentemente no teatro, mas também na música clássica, normalmente, na ópera”, acrescenta a companhia.
“Ocorreu-lhe trazer a ópera para o teatro e propor uma reflexão sobre este género. Para a escrita do texto, convidou Rui Pina Coelho, professor universitário, dramaturgo e dramaturgista, que, desde 2010, tem colaborado regularmente com o TEP — Teatro Experimental do Porto”, pode ler-se na mesma nota.
Sara Belo interpreta uma cantora, “que entrecruza a sua história pessoal com a das grandes figuras operáticas: mulheres suspensas entre a idealização e a realidade, entre a paixão e a morte”.
“Ela recebe o público no seu camarim, pouco antes de entrar em palco. Nesse intervalo suspenso, entre ensaio e representação, vai tecendo uma conversa íntima e fragmentada: fala de árias que a marcaram, de heroínas operáticas condenadas a morrer por amor, de revoluções desencadeadas por uma ópera numa noite de agosto em Bruxelas e de um varredor de rua que apanha umas chaves do chão sem que ninguém dê por isso”, acrescenta a organização.
“Ninguém Morra a Cantar” assemelha-se a um ensaio ao vivo, com divisão entre “conferência, concerto e confissão”, onde “a narrativa operática e a experiência de uma mulher real se entrelaçam de forma cada vez mais indistinta”.
“De Offenbach a Wagner, de Verdi a Purcell, as árias cantadas não são apenas memória musical: são o fio condutor de uma reflexão sobre as mulheres que a ópera condena ao silêncio, ao sacrifício e à morte, enquanto os homens cantam a liberdade e a pátria”, diz o Teatro o Bando.
O espetáculo, que aproxima os presentes, “confronta as hierarquias de género e de classe que moldaram este repertório e que ainda hoje o habitam. Com ironia e ternura, deixa no ar a pergunta: o que resta quando a música acaba?”.
Apesar da entrada ser gratuita, é aconselhável reservar bilhete, através do email bilheteira@obando.pt.

