A Câmara Municipal de Setúbal (CMS) foi, durante o 2.º semestre de 2025, a autarquia que mais demorava a pagar aos fornecedores privados, que prestavam serviços à instituição. O prazo médio de pagamento chegou a ser de 181 dias, ou seja, cerca de meio ano (seis meses).
Estatísticas da Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL), a que o Revela Arrábida teve acesso, mostram que houve grandes aumentos na demora de pagamento, especialmente quando comparamos os dados de 2023 a 2025.
Dados, que remontam ao mandato de André Martins, CDU, mostram que a 31 de dezembro de 2023, os pagamentos eram feitos, geralmente, após 53 dias. O número foi-se mantendo, até 31 de dezembro de 2024, onde a espera já era de 155 dias.
Maior período de demora nos pagamentos a fornecedores foi registado a 30 de outubro de 2025, mês e dia em que o executivo CDU abandonou funções para a tomada de posse de Maria das Dores Meira, pelo movimento independente “Setúbal de Volta”, com 181 dias.
Ou seja, desde 2023 a 2025 houve um atraso de pagamentos na ordem dos 241% e, caso prestasse um serviço à câmara municipal, ia demorar cerca de meio ano a ver o dinheiro na sua conta. Faturas que estavam por pagar, entravam para a dívida comercial e de fornecedores do Município.
Nuno Costa, vereador da CDU na autarquia setubalense, diz ao Revela Arrábida que o aumento do prazo médio de pagamento a fornecedores resulta “apenas de um movimento estatístico causado pelo reconhecimento da dívida” da CMS à Amarsul. Um movimento que “já vinha a ser preparado desde 2025”, no anterior mandato, “com os atuais responsáveis da direção financeira” da autarquia.
“Esse reconhecimento, no fim do ano passado, motivou esta alteração nos prazos de pagamento. Provavelmente, seis meses decorridos da avaliação que é apresentada na página da DGAL, que serve de base à vossa pergunta, a situação pode até já ser diferente. Mas, há também que relembrar que o problema da dívida à Amarsul não é novo, nem sequer exclusivo do anterior mandato, como se parece querer fazer crer”, menciona ao Revela Arrábida.
“Recordo que, já em 2014, tinha havido um problema com a penhora das contas bancárias da câmara municipal, em resultado de uma situação idêntica. Também, em 2021/2022, o anterior executivo da CDU teve que renegociar e resolver nova dívida à Amarsul, formada no período em que a atual presidente era simultaneamente a responsável pelo pelouro financeiro. Agora, claro, com o aumento das tarifas absurdas praticadas por esta empresa a situação pode ter-se agravado”, explica.
O autarca remata ao referir que o anterior mandato da CDU, na Câmara Municipal de Setúbal, foi aquele em que “mais investiu desde o 25 de abril”, apesar da “permanente difícil situação financeira” da autarquia.
“É hoje notório que, tal como já disse há dias, o novo executivo camarário anda a inaugurar a dívida que a CDU contraiu. Querem ficar com os louros das inaugurações, mas querem, ao mesmo tempo, renegar a dívida, que foi necessária contrair, para criar mais bem-estar e desenvolvimento no nosso concelho”, finaliza.
Já com Dores Meira no poder, o prazo médio de pagamento desceu ligeiramente, mas continua elevado e na pior posição do País, com um tempo de espera de 174 dias, a 31 de dezembro de 2025.
Perante estes dados, em declarações ao Revela Arrábida, o vereador Paulo Maia, do movimento independente “Setúbal de Volta”, diz que quando o atual executivo tomou posse, a Câmara Municipal de Setúbal “encontrava-se numa situação financeira catastrófica, fruto de uma má gestão” do Município, nos últimos quatro anos.
“A dívida do Mnicípio havia duplicado em quatro anos e ascendido a quase 100 milhões de euros. Neste contexto, encontrámos um Município com atrasos impensáveis aos seus fornecedores, incluindo fornecedores correntes a quem o não pagamento tem um maior impacto, e já com muitos deles a recusarem-se trabalhar com o Município”, refere ao jornal Revela Arrábida.
“Uma situação insustentável e à qual estamos a dar a devida resposta. O Município de Setúbal está a regularizar os prazos de pagamento a fornecedores, temos um orçamento mais rigoroso e, acima de tudo, estamos a diminuir a dívida”, encerra.

