Liberdade, democracia, tempo e crescimento foram algumas das palavras enaltecidas e repetidas na apresentação pública do projeto “Uma Região a Brincar – Mapa de lugares conhecidos e a descobrir”, que aponta, num mapa interativo, os locais de brincadeira, para famílias e crianças, distribuídos pelo distrito de Setúbal.
O momento, que ocorreu nos Serviços Centrais da Câmara Municipal do Seixal a 7 de março, quinta-feira, juntou mais de 100 participantes, entre entusiastas, profissionais da educação, educadores e famílias.
A inciativa, da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), contou com a participação de cerca de 2300 crianças das escolas dos Municípios envolvidos no projeto — Alcácer do Sal, Alcochete, Grândola, Montijo, Palmela, Santiago do Cacém, Seixal, Sesimbra e Setúbal — e mais de 1200 contribuições, que culminaram no “Mapa de Brincar”, disponível online.
O trabalho de construção do mapa — que pretende também enaltecer as construções para o propósito na região — foi realizado no âmbito do Grupo Intermunicipal da Educação da AMRS, com a colaboração do professor Frederico Moura e Sá, da Universidade de Aveiro, e da Editora Planeta Tangerina, responsável pela ilustração.
A sessão de abertura contou com intervenções de Sofia Martins, secretária-geral da AMRS, da presidente do conselho diretivo da AMRS e presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, e de Paulo Silva, presidente da Câmara Municipal do Seixal e vice-presidente do conselho diretivo da AMRS.
Sofia Martins, em declarações ao jornal Revela Arrábida, explica que o projeto quer “mostrar uma nova visão” sobre como a urbanização e a arquitetura das cidades podem ser pensadas, com o direito a brincar em conta.
“Queremos que se comecem a olhar, crianças, encarregados de educação, educadores, para uma cidade que promove o direito de brincar, que no fundo apresenta e pensa os espaços para promover este direito, em que as crianças passam a ter um papel essencial no desenho da cidade, na largura dos passeios, as praças, todos os espaços pensados numa dimensão que pode ser aproveitada por todos”, explica.
Ana Teresa Vicente enaltece uma época tecnológica, que acaba por desconectar as crianças da realidade. “As nossas crianças precisam de ser absolutamente desafiadas, numa altura em que se centram excessivamente nas tecnologias e nos ecrãs. E é com a ajuda do ecrã que este projeto pretende catapultá-las para um espaço real, para um espaço de brincar e de brincar no território, em locais concretos”, afirma.
Por outro lado, Paulo Silva, recorda a ligação do projeto com a Revolução dos Cravos e os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, considerando um “homenagem”.
“Aqueles que, nas palavras de Soeiro Pereira Gomes, ‘foram os homens que nunca foram meninos’, porque nunca tiveram o direito a brincar, porque tiveram de começar a trabalhar muito cedo. Por isso, garantir o direito a brincar é, indubitavelmente, cumprir Abril, valorizar a necessidade de proteção da infância e trabalhar para o futuro dos nossos territórios”, assume o autarca.
O encontro reforçou o trabalho, estudo e análise do projeto, desde a idealização até à finalização, pelas palavras de Maria João Macau, vereadora da Educação e Cultura da Câmara Municipal do Seixal, de Frederico Moura e Sá, urbanista e professor da Universidade de Aveiro, e de Vanessa Silva, jurista e responsável técnica do Grupo Intermunicipal da Educação da AMRS.
No seguimento da elaboração do “Manifesto pelo Direito a Brincar”, proclamado no encontro da Associação de Municípios da Região de Setúbal “O Tempo de Brincar é o Tempo de Crescer”, a AMRS assume os locais identificados contributivos para o “desenvolvimento integral da criança, para que o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito de participar em jogos e atividades recreativas próprias da sua idade e de participar livremente na vida cultural e artística saia das páginas da Convenção dos Direitos da Criança para a Vida”.

