Quinta-feira, 7 Maio 2026
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Palmela Pode Mais

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Palmela pode mais, mas para isso é preciso coragem para enfrentar os problemas que estão à vista de todos e que durante anos foram sendo ignorados ou adiados.

A verdade é que o concelho não sofre apenas de falta de visão estratégica. Sofre também de problemas do dia a dia que afetam diretamente a qualidade de vida das pessoas — e que não podem continuar a ser desvalorizados.

Basta percorrer as nossas estradas para perceber isso. Há vias degradadas, cheias de buracos, que colocam em risco a segurança de quem circula diariamente. Não é apenas uma questão de conforto — é uma questão de responsabilidade pública. A manutenção da rede viária não pode ser feita de forma reativa, quando o problema já é evidente. Exige planeamento, monitorização e intervenção atempada.

O mesmo acontece com a sinalização. Passadeiras por pintar, marcações desgastadas, falta de visibilidade em zonas críticas. Pequenos detalhes? Não. São fatores que fazem a diferença na segurança rodoviária, sobretudo para crianças, idosos e famílias. Um concelho que quer crescer tem de começar por cuidar do essencial.

E depois há a questão da limpeza urbana. O lixo acumulado em bermas de estradas, caminhos rurais e zonas periféricas não é apenas um problema estético — é um sinal de desorganização e falta de fiscalização. É também uma ameaça ambiental e de saúde pública. Não podemos aceitar que num território com a riqueza natural de Palmela existam pontos onde o abandono é visível e recorrente.

Mas os desafios não se ficam por aqui.

O crescimento do concelho, especialmente em zonas como o Pinhal Novo, não tem sido acompanhado pelo investimento necessário em infraestruturas e serviços. Crescem casas, crescem pessoas — mas não crescem ao mesmo ritmo os transportes, os equipamentos públicos, os espaços verdes, as respostas sociais. Isto cria pressão, reduz qualidade de vida e compromete o futuro.

Também na habitação o cenário é preocupante. Os preços sobem, a oferta é insuficiente e muitas famílias — sobretudo jovens — não conseguem fixar-se no concelho onde trabalham ou onde cresceram. Sem uma estratégia clara e ativa, Palmela arrisca-se a perder uma geração inteira.

E há ainda uma dimensão que não pode ser ignorada: o ambiente e o combate às alterações climáticas.

Palmela tem condições únicas para liderar nesta área, mas isso exige mais do que intenções. Exige um verdadeiro planeamento verde. Mais árvores, mais espaços verdes urbanos, melhor gestão da água, incentivo à eficiência energética e à mobilidade sustentável. Não se trata apenas de proteger o ambiente — trata-se de preparar o território para o futuro e torná-lo mais resiliente.

A proximidade à Arrábida, a riqueza agrícola e o património natural obrigam-nos a ser exigentes. Crescer sim — mas crescer com equilíbrio, com respeito pelo território e com visão de longo prazo.

Outro ponto essencial é o investimento no desporto. Estruturas como a Palmela Desporto têm um papel fundamental na promoção da saúde, do bem-estar e da coesão social. Mas precisam de mais meios, melhores instalações e uma estratégia que valorize verdadeiramente o desporto como ferramenta de desenvolvimento. Investir no desporto é investir nas pessoas.

E não podemos esquecer as escolas.

Há estabelecimentos de ensino a precisar de obras, de manutenção, de modernização. Salas degradadas, equipamentos desatualizados, espaços exteriores pouco cuidados. A escola é um pilar central da comunidade — e não pode continuar a ser tratada como secundária. Investir nas escolas é investir no futuro do concelho.

Tudo isto revela um padrão: falta de planeamento integrado, falta de prioridade naquilo que realmente impacta a vida das pessoas e falta de ambição para transformar Palmela num território de referência.

Não basta reagir aos problemas. É preciso antecipá-los. Não basta gerir. É preciso liderar.

Palmela está num momento decisivo. Com a nova travessia do Tejo e o crescimento do Porto de Setúbal, o concelho tem uma oportunidade única para se afirmar como um polo estratégico na região e no país. Mas essas oportunidades não esperam por quem hesita.

É necessário criar condições reais para atrair investimento — com processos mais rápidos, mais transparência e maior previsibilidade. É necessário garantir que esse crescimento se traduz em emprego qualificado, em melhores salários e em mais oportunidades para quem cá vive.

Ao mesmo tempo, é fundamental garantir que ninguém fica para trás. Que o crescimento é acompanhado por políticas sociais fortes, por acesso à habitação, por serviços públicos de qualidade.

Palmela não precisa de mais promessas vagas nem de diagnósticos repetidos.

Precisa de ação concreta. Precisa de prioridades claras. Precisa de uma liderança que saiba decidir.

A próxima década vai definir o lugar de Palmela no mapa da Área Metropolitana de Lisboa. Ou aproveitamos este momento para dar um salto em frente — ou continuamos a assistir ao desenvolvimento a acontecer ao lado, sem capacidade de o liderar.

A escolha não pode ser adiada. Palmela pode mais. Mas só vai conseguir se tiver coragem para mudar.

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