Quinta-feira, 23 Abril 2026
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Chega diz que cenário do CROA Palmela é “profundamente preocupante”

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Na última reunião pública do executivo da Câmara Municipal de Palmela, a vereadora do Chega, Maria Joaquim Bonacho Antunes, descreveu, após visita ao CROA Palmela, realizada a 12 de janeiro, as instalações com um sentimento “profundamente preocupante”.

“Encontrei um espaço exíguo, improvisado e sem o mínimo de condições para assegurar o bem-estar animal, a saúde pública e a segurança dos próprios trabalhadores. Para além das situações já referidas relativamente à sala de cirurgia — não esterilizada, utilizada como zona de passagem entre o canil, o gatil e o secretariado, com presença de lixo, materiais inadequados, seringas com agulhas e vestígios de sangue nas bancadas — verifica-se ainda que um cão dorme neste espaço, bem como a respetiva comida aí se encontra”, refere documento a que o Revela Arrábida teve acesso.

A nota menciona a verificação de “entulho nas imediações dos alojamentos”, bem como a “existência de um recipiente de plástico de grandes dimensões, com água completamente verde, junto ao alojamento de dois cães”, que representa um “risco evidente de proliferação de bactérias e focos de infeção”.

“Os animais acolhidos no CROA estão alojados num barracão, sem o mínimo de condições, sem espaços adequados de recobro, sem circuitos funcionais definidos e sem garantias de higiene compatíveis com um centro desta natureza”, pode ainda ler-se.

O partido Chega denuncia ainda, no que toca ao financiamento do centro, o facto de o Município de Palmela “não ter concorrido” ao financiamento da DGAV/DGFAE, um apoio que, segundo o partido, “poderia ter sido fundamental para colmatar” muitas das carências do CROA.

No mesmo tópico, são questionados onde foram aplicados os valores recebidos da DGFAE em 2024, no montante de 76 mil euros, e em 2025, no valor de 75 mil euros, que eram “destinados a obras de beneficiação, esterilizações e desparasitações”.

“Enquanto vereadora da oposição, não posso aceitar o silêncio, a normalização da precariedade ou a ausência de respostas. Exijo esclarecimentos, transparência na aplicação das verbas públicas e, acima de tudo, uma intervenção urgente e séria que devolva dignidade aos animais de Palmela”, afirma a mesma declaração.

Câmara de Palmela abre inquérito e diz que acusações e referências à falta de competência dos funcionários do CROA é “grave e subjetiva”

O Centro de Recolha Oficial de Palmela (CROA) foi acusado de “maus-tratos” a animais. A denúncia surge através de um grupo de cuidadoras de colónias, que alegam “práticas ilegais” por parte dos funcionários e veterinário do centro.

Entre as acusações, expostas na página oficial do PAN — Pessoas Animais Natureza, está a “utilização de instrumentos não esterilizados, a utilização de Super Cola-3 em cicatrizes, falta de higiene, animais com orelhas gangrenadas e até mortes de animais” recolhidos pelo CROA.

Em resposta às últimas denúncias e à petição online, criada em novembro de 2025, que pede o “fim das más práticas da CROA Palmela”, além da sua relocalização, a Câmara Municipal de Palmela decidiu abrir um inquérito, de modo a investigar o tema.

Apesar de, até ao momento da publicação deste artigo, a autarquia “não ter chegado a nenhuma conclusão”, garante que os funcionários têm “recebido elogios face ao empenho, profissionalismo e dedicação animal”.

“A atuação dos trabalhadores é monitorizada. “Os dois médicos veterinários afetos ao serviço têm qualificação e conhecimentos para usar o equipamento de anestesia instalado no CROA e será dada formação às/aos assistentes operacionais para que também possam efetuar tarefas neste âmbito”, diz a autarquia ao Revela Arrábida.

Além disso, a edilidade menciona que as acusações e referências à falta de competência dos funcionários do CROA é “grave e subjetiva” e que, de acordo com a informação dos veterinários do CROA, “não foi usada Super Cola-3 em substituição de sutura em qualquer um dos animais esterilizados”.

“A Super Cola-3 tem o mesmo princípio ativo da cola cirúrgica (cianoacrilato) e foi, em tempos, usada, não para suturar, mas apenas para aproximar os bordos da sutura após sutura intradérmica”, explica.

O CROA foi construído e inaugurado em 2016, após a câmara ter considerado que o antigo canil estava “desadequado”. A obra teve como objetivo “melhorar a resposta municipal” às questões de bem-estar animal. Segundo os últimos dados, entre 2023 e outubro de 2025, foram adotados e cedidos a associações 308 cães e 325 gatos.

“Em 2025, o Município gastou mais de 30 mil euros em serviços médico-veterinários prestados por hospital/clínicas veterinárias e adquiriu cerca de 25 mil euros de medicamentos e 57 mil euros em material e equipamento cirúrgico. Até ao momento, a autarquia gastou, em 2025, cerca de 49 mil euros em ração”, concluem.

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