Desde muito novo que Bruno Frazão, presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, eleito pelo Partido Socialista nas eleições autárquicas 2025, realizadas a 12 de outubro, está ligado à cultura — mais não fosse pelos próprios pés, enquanto bailarino, ou a representar, no teatro setubalense. Neste mundo, a política surge naturalmente, pelo que diz ser, também um serviço para a comunidade.
Em entrevista ao Revela Arrábida, o autarca fala sobre pretender apoiar e incentivar o movimento associativo na freguesia, assim como quais são as medidas que gostaria de implementar, nas diversas áreas, no decorrer do quadriénio 2025-2029. Tece ainda considerações acerca da decisão da câmara municipal quanto à suspensão de abastecimento no Parque Municipal de Poçoilos.
Houve alguma surpresa nesta eleição ou se era algo já esperado pelo Bruno de vencer esta freguesia? Como é que estava a expectativa em relação ao resultado?
Claro que nunca sabemos se vamos ganhar ou não. É sempre uma coisa incerta, mas eu sabia que era algo que podia mesmo vir a acontecer e isso também se sente quando estamos na rua. Estive, há quatro anos, em campanha e a aceitação foi boa. Mas notei uma grande diferença nestas eleições, primeiro porque já sentia o reconhecimento das pessoas que até então, há quatro anos, quando passava pelas ruas, e em campanha, só me conheciam das marchas, ou do teatro, e nesta última campanha isso já não acontecia. Percebi que as pessoas já me conheciam pela questão política e pela oposição que fui tendo ao longo dos quatro anos na freguesia de São Sebastião. Como perceberam, foi uma oposição sempre construtiva, sempre presente e onde eu a equipa estivemos no terreno. Acabou por também nos ajudar muito nesta campanha. Não foi surpresa, esperávamos mesmo a vitória em São Sebastião. Claro que estávamos sempre naquele impasse de saber se ganhávamos ou não, porque, obviamente, também sabíamos que havia outras candidaturas fortes e que poderiam, de alguma forma, balançar os resultados. Mas, efetivamente, não foi surpresa. Era algo que estávamos à espera que acontecesse.
Diz que agora “também o conhecem pelo perfil político”, mas, antes disso, como é que começou a vida na cultura e como é que se ganha essa imagem, estando relacionado ao movimento associativo e às marchas?
Comecei desde muito novo a fazer as marchas e a fazer teatro. Aliás, comecei primeiro como bailarino de teatro.
Mas foi por influência de alguém, foi por escolha?
A minha família sempre esteve muito ligada ao movimento associativo e inclusive a família materna. A minha avó cantava fado, a minha tia, que continua a fazer teatro, também sempre foi muito ligada às artes. Depois, da parte paterna, os avós do meu pai tinham organização no Algarve dos grupos de Bombos e também das Cegadas, e é curioso porque eu fiz um mestrado sobre as Cegadas de Carnaval. Já há aqui uma história da minha família ligada à cultura e ao movimento associativo.
E começou como bailarino com que idade e onde?
Deveria ter os meus 16 anos e comecei no Clube Recreativo Palhavã. Foi aí que despoletou tudo. Primeiro o teatro e depois as marchas, ainda como marchante e como bailarino. Não passei dessa fase, mas, entretanto, em 2001, fui ensaiado pelo Idaliano Batista. No ano a seguir, não havia ninguém para ensaiar a marcha porque o Idaliano regressa aos Ídolos da Praça, que foi o sítio onde fez as marchas durante muitos anos. Então, fiz a proposta de ser eu ensaiar a marcha.
Tinha que idade, nessa altura?
Tinha 18 anos. Fiz a proposta e avancei com a marcha. Depois daí nunca mais parei até este ano. Ainda estive envolvido na marcha de São domingos de Benfica, em Lisboa. Por opção, e por ser candidato à Junta de Freguesia de São Sebastião, optei por não fazer marchas em Setúbal, e sendo que em são Sebastião havia seis marchas a concurso, eu estar envolvido num em particular, seria complexo. Claro que toda a gente sabe que fui, durante muitos anos, ensaiador da marcha do Independente e isso acaba por ser inconfundível, mas achei que seria de bom tom não fazer marchas em 2025. A partir de agora, não farei mesmo. Portanto, durante os próximos quatro anos, de certeza que não terei nenhum envolvimento nas marchas, a não ser assistir.
E como é que este papel político se sobrepõe a essa paixão de fazer as marchas? De onde é que surge também esta ideia?
Acho que tudo está interligado. O facto de me ter envolvido muito cedo com o movimento associativo, e quanto a mim, e acho que para toda a gente, é a primeira escola de cidadania e onde se começa efetivamente a ter algum poder de decisão, é no movimento associativo, nos cargos de dirigentes associativos, nós acabamos por também ter poder sobre determinada comunidade e, portanto, acho que o gosto vem a partir daí. Na vontade de fazer coisas, de trabalhar em prol da comunidade. Acho que as coisas vão, por si só, evoluindo. Já passei por vários cargos diretivos. A minha primeira experiência foi na Associação de Moradores do Casal das Figueiras, onde fui a vogal, depois fui secretário. Na Palhavã nunca tive nenhum cargo a nível diretivo. Mas, depois fui presidente da Companhia de Teatro de Setúbal até ter deixado, agora, para a Paula Cruz, porque não poderia assumir a presidência de uma coletividade e, ao mesmo tempo, ser presidente de junta. Mas também fui presidente do Independente, onde tive outros cargos que não só de presidente. Fui secretário, presidente da Assembleia Geral e, ao fim ao cabo, acho que esta chegada a presidente da Junta de Freguesia, que também é um grande trabalho em prol da comunidade, provém já desse facto de começar muito novo no trabalho com o associativismo. Claro que aqui as coisas são diferentes.
Diferentes, como?
Obviamente que não é uma questão só de fazer de forma voluntária e, quando se pode, o trabalho pela pelas pessoas. Aqui é uma obrigação do presidente de junta, mas uma obrigação que não a vejo no sentido negativo. Temos essa função. O objetivo do presidente de junta de fazer com que a comunidade tenha condições dignas de vida, sejam elas pelas ruas, que precisam de ser arranjadas, pelos espaços ajardinados, que precisam de ser mantidos, pelo bem-estar animal, e pelas diversas necessidades que existem nas comunidades. Até pela própria integração das comunidades, das minorias. Tudo isso é função de um presidente de junta: mediar o que é o trabalho das comunidades e tentar que as pessoas tenham melhores condições de vida.
Como presidente de junta, e tendo uma ligação tão forte ao associativismo, é um bom sinal para as associações? Quais são os seus desejos para as associações da freguesia?
Sim, ao longo dos anos em que estive na oposição sempre foi nosso desígnio que aumentassem os apoios financeiros às coletividades, porque achávamos que eles eram poucos. Vamos continuar a fazê-lo. Tencionamos aumentar a rubrica do apoio ao movimento associativo, mas também pretendemos aqui criar algumas valências para que as associações possam ter mais acesso à informação, à lei, àquilo que está previsto acontecer nas coletividades, de que forma é que as coletividades se podem constituir, na necessidade de existirem coletividades novas, promover o associativismo jovem, e diversificar o tipo de associações.
Como por exemplo?
Em Setúbal, por exemplo, vimos poucas associações com o intuito ativista e, assim, também poder ter aqui maior ênfase, por exemplo, no ativismo. A nossa visão, claramente, que é a de apoiar o movimento associativo, mais e melhor, e sempre dentro das nossas possibilidades. Claro que temos de canalizar verbas para outras áreas, não só para o movimento associativo, mas, obviamente, que o movimento associativo tem muita importância naquilo que é a dinâmica de toda a comunidade. Se a Junta de Freguesia já é um órgão perto da comunidade, as coletividades acabam por ser outro órgão ainda mais perto dessa comunidade e, portanto, há que descentralizar e apoiar as coletividades para que também possam fazer o seu trabalho no terreno, em dessa formam também ajudarem a Junta de Freguesia, a câmara municipal e, por sua vez, ajudarem o próprio Governo a fazer um melhor trabalho em prol das comunidades.
Já passaram cerca de duas semanas desde que está neste cargo. Quais é que foram os maiores desafios que encontrou, até agora?
Bom, o maior desafio foi, sem dúvida, presidir ainda sem executivo do Partido Socialista. Tive de fazer a minha tomada de posse em duas partes. A primeira foi tomada de posse normalmente feita, mas como faltou um membro do Partido Socialista, não conseguimos avançar para a eleição do executivo. Então, teve de se remarcar uma nova assembleia e, portanto, foi aí que, só uma semana depois, elegemos o executivo. Portanto, tive uma semana com o executivo da CDU. Ao fim ao cabo, apesar de terem sido muito cordiais comigo, também me senti sozinho durante essa essa semana. Estava com pessoas, mas não estava com os meus pares. Também me senti um bocadinho sozinho, mas, obviamente, que não fui maltratado, antes pelo contrário. Até foram pessoas muito disponíveis e também me ajudaram a conhecer melhor a Junta de Freguesia. Os trabalhadores e trabalhadoras também foram aqui uma peça fundamental para a minha integração e dizer que fui muito bem recebido por eles e por elas.
Foi esse o seu maior desafio?
E também, a três dias de ter sido presidente, começar a ver a primeira tempestade, e tive de ir para a rua e perceber como é que poderia ajudar. Foi a minha inexperiência, de ter de saber o que é que tenho para fazer nestas situações, até porque ainda nem sequer havia pelouros distribuídos, portanto, não tinha executivo. Mas tinha de dar indicações aos trabalhadores e às trabalhadoras que estavam no terreno, a desentupir as sarjetas, a limpar as sarjetas, e as ruas a inundar… Portanto, este foi o maior desafio. Ter de tomas essas decisões.
Houve articulação com a câmara municipal?
Foram duas situações que aconteceram muito perto. Não estou a falar desta última tempestade Cláudia. Essa foi maior, mas aí já estava a saber o que é que tinha para fazer. Já tínhamos executivo PS e os pelouros todos definidos. Quanto à articulação com a câmara…. Confesso que não foi a melhor. Senti, mas lá está poderá ser por inexperiência, a necessidade de haver alguém a comandar toda a situação. Nós temos de dar orientações aos nossos trabalhadores, mas penso que deveria ter havido aqui uma articulação de cima a dar indicações. Valeu-nos o facto de termos trabalhadores e trabalhadoras muito experientes e que sabem quais são os principais focos, quando há inundações e, portanto, foi essa a nossa sorte, porque eles sabiam perfeitamente dirigir-se aos sítios que sabiam que ia começar a inundar.
Mas existiu contacto?
O único contacto que tivemos por parte da câmara foi já, praticamente, passada a tempestade, em que nos perguntaram os meios que tivemos no terreno, desde quantos elementos e quantos veículos é que tínhamos. Fizemos um pequeno briefing semanal, que acontecem sempre à sexta-feira, de 15 em 15 dias.
E ninguém contactou no dia da tempestade?
Ao presidente da junta, não. Se contactaram diretamente com os trabalhadores e com as trabalhadoras. Neste caso, com o encarregado… Não sei, mas a mim, em particular, não. Fui contactado, sim, como lhe disse, para explicar que meios é que tínhamos no terreno e quantas pessoas é que tivemos. Demonstrei esse desagrado na primeira reunião briefing e disse que achava que precisávamos de ser um bocadinho mais acompanhados. Também acho que fomos todos apanhados de surpresa, porque éramos, eu, o Tiago Cardoso e o Nuno Cruz, presidentes de junta inexperientes nesta situação. O Tiago teve uma situação muito mais complexa em Azeitão. A União das Freguesias teve mais complexidade do que são Sebastião. Felizmente, tivemos aqui algumas situações, mas não foram tão graves. Tivemos a oportunidade, nesse briefing, de dizer aquilo que achávamos, as dificuldades que sentimos e penso que isso fará eco junto da câmara municipal e de quem tem coordenação da proteção civil e que, de futuro, nos possam ir orientando.
A nível financeiro, e numa pergunta simples: como é estão as contas da Junta de Freguesia de São Sebastião? Na entrevista que o nosso jornal fez ao presidente da União das Freguesias de Setúbal, foi dito que existia uma dívida da câmara municipal para com aquela junta. O cenário é idêntico nesta junta, de São Sebastião?
A situação financeira da Junta de Freguesia de São Sebastião é tranquila. Foram deixados compromissos por assumir, mas também foi deixada verba para fazer face a esses pagamentos e, portanto, não me parece que haja aqui uma situação financeira instável. As contas estão equilibradas com as despesas que estão previstas até final do ano, há cabimentação no orçamento, há verba para fazer face a esses pagamentos e, portanto, da nossa parte, Junta de Freguesia de São Sebastião, há compromissos, mas também há verba para pagar. Existe dívida, sim, da câmara municipal à Junta de Freguesia.
De quanto é que estamos a falar?
Não sei precisar, mas ronda os 600 mil euros. Tem a ver com uma verba que está em atraso em relação à delegação de competências.
Falando do tema da suspensão, por parte da câmara municipal, do abastecimento de veículos e máquinas de trabalho das juntas de freguesia no Parque Municipal de Poçoilos, qual é comentário que tem a fazer?
O comentário que tenho a fazer é que acho que é uma atitude um bocadinho irrefletida. Percebo que a câmara municipal esteja com grandes dificuldades financeiras. Aliás, era isso que constava no e-mail que recebemos fora do horário de expediente, e quando os serviços já estavam fechados e que no outro dia a abrirem, também não iriam ter de imediato essa informação. Não foi contactado nenhum presidente de junta previamente para poder dar esta informação. Portanto, lamentar essa situação, que acho que devia de haver aqui outro tipo de diálogo com as freguesias, porque, na verdade, este corte radical no acesso ao abastecimento das nossas viaturas em Poçoilos irá trazer consequentes problemas para a comunidade. A curto prazo, certamente, deixaremos de poder ceder o nosso autocarro às instituições, ter os nossos pesados na rua, a fazer a recolha de sinais de trânsito que estão caídos, de pilaretes que precisam de ser arranjados, de ter possibilidade de transportar materiais para o terreno para reparar calçadas, de termos as nossas varredouras no terreno, a fazer a limpeza das ruas… Acho que isto foi uma atitude irrefletida, mas penso que a senhora presidente, e os seus vereadores, irão repensar esta situação e perceber que isto vai trazer grandes encargos extra para as juntas de freguesia. Aquilo que faço é um apelo à senhora presidente que perceba que está a pôr em causa a limpeza das ruas, a cedência do autocarro, as instituições da nossa freguesia, nomeadamente as escolas, que são as instituições a quem mais cedemos os autocarros. E, portanto, acho que a senhora presidente não quer ruas sujas, nem quer que as escolas fiquem sem ter a possibilidade dos alunos e alunas poderem sair, para fazer visitas de estudo, em complemento àquilo que é o ensino. Portanto, é esse o comentário que tenho a fazer, mas como sou uma pessoa que confia que os finais são sempre felizes, eu espero que isto tenha, efetivamente, um final feliz.
Não existiram mais indicações desde aquelas últimas dadas na reunião pública do executivo [19 de novembro]? De quais seriam os próximos passos para tentarem resolver a situação?
Aquilo que sabemos é que irá haver uma eventual reunião, mas, até ao momento [21 de novembro] não fomos contactados e precisamos urgentemente de falar com a senhora presidente e os senhores vereadores, não só pela questão de pessoa, mas também por outras questões que são da responsabilidade da autarquia e que nós temos que ter uma palavra para os nossos fregueses, para lhes explicarmos porque é que as coisas não estão a acontecer.
Na sua consideração: não houve qualquer tipo de abuso da parte da Junta de Freguesia e de São Sebastião, nos abastecimentos?
Não posso dizer o que é que aconteceu para trás. Sou presidente de junta há semanas e durante o meu mandato, que é muito curto, eu dir-lhe-ei que não houve, certamente, nenhum abuso. Quando se refere numa última intervenção da senhora presidente que houve abusos, e que o próprio autocarro estava a encher o depósito para se abastecer, é para fazer serviço para a comunidade. Não estamos s promover outro tipo de iniciativas que não seja ou de apoio ao movimento associativo, ou de apoio às escolas e, portanto, tem sido essa a utilidade do autocarro
E quanto ao mencionado uso “a granel”?
Relativamente ao enchimento a granel… Vou tentar perceber em concreto o que é que a senhora presidente quer dizer com isso, mas dizer-lhe que, da nossa parte, o enchimento a granel servirá, certamente, para a nossa varredora encher, para não ter de se deslocar até Poçoilos, e, porventura, trazer o combustível a granel. Ou então para as roçadoras que são equipamentos que têm de ser cheios por um jerrican, e, portanto, tem de ser dessa forma. A presidente me identifique, claramente, o que é que foi incumprido e, obviamente, que se tiver havido incumprimento, eu serei o primeiro a repor a situação.
A freguesia de São Sebastião engloba uma franja da população do concelho muito fragilizada. Abordando, agora, as medidas previstas. Tem alguma a destacar na área social?
Eu próprio fiquei com o pelouro dos Direitos Sociais, até porque a minha área de formação é na área da intervenção comunitária, e, claramente, temos projetos para alavancar na área do apoio às pessoas mais vulneráveis. Um deles é continuar a acompanhar o Nosso Bairro, Nossa Cidade. As pessoas estavam muito preocupadas, na altura da campanha, que se nós ganhássemos a câmara municipal e as juntas de freguesia, iríamos acabar com esse projeto.
Porque é que tinham esse medo?
Não sei. Também não percebi, mas fui tentando durante o tempo, e nas visitas que fiz aos bairros que que estão intervencionados pelo Nosso Bairro, Nossa Cidade, desmistificar essa situação e, aliás, amanhã [22 de novembro] irei estar numa iniciativa, nas Manteigadas, onde demonstra que estamos com a comunidade e que vamos continuar a trabalhar com a comunidade. Para além disso, vamos reativar a Comissão Social de Freguesia. É uma comissão de entidades da área social, que trabalham na freguesia, e que o intuito é pensar do ponto de vista da intervenção na nossa comunidade, congregar as diferentes entidades que estão no terreno para identificar as necessidades e poder aplicar políticas de intervenção. Ficou pensado em 2018, mas, entretanto, desde aí, não houve nenhuma reunião nesse sentido e, portanto, ficou a Comissão social de Freguesia criada, mas depois não teve avanços. Temos uma assistente social que faz parte dos quadros da Junta de Freguesia, e que não tinha um papel tão ativo naquilo que é a intervenção social. Ela estava mais afeta à intervenção com a comunidade sénior, mas agora vai ter uma amplitude no seu trabalho, que é também ajudar-me a construir políticas de intervenção na comunidade. Isto são alguns tópicos daquilo que vamos fazer para ajudar a colmatar aquilo que são as necessidades da comunidade, nomeadamente, aquelas mais vulneráveis.
O que é que tem mesmo de ser feito, na sua perspetiva e planos, no decorrer destes quatro anos?
Gostávamos de ver feito o que está no nosso programa eleitoral. Não é um programa eleitoral que tivéssemos considerado que não fosse exequível, obviamente que nós temos lá a propostas que dificilmente se vão concretizar, porque dependeríamos, obviamente, do Partido Socialista ter vencido a câmara municipal, da mesma forma como um movimento independente, quando apresentou propostas, também o fez com base em coisas que só poderia cumprir com a câmara municipal. No nosso caso, por exemplo, temos a “Varanda Rio”, queríamos implementar nas Escarpas de São Nicolau e que seria um ponto em que pudesse trazer pessoas para ver aquela vista magnífica e onde pudessem levar uma recordação da cidade e, a partir daí, promover turisticamente Setúbal, não no sentido do turismo de massas, mas com um turismo sustentável. Só que dificilmente vamos conseguir implementar a “Varanda Rio”, porque, dificilmente, a Junta de Freguesia terá hipótese de concretizar esse investimento. É um dos exemplos. Haverá outros no programa que não vamos conseguir porque são encargos muito grandes e que a freguesia, por si, só não consegue. Mas tudo aquilo que for exequível, e porque nós temos efetivamente um programa eleitoral exequível, a junta irá concretizar.
Mas pode nomear um exemplo daqueles que vão concretizar? Daqueles que mais quer ver concretizado e é possível.
Quero concretizar todos, mas, assim, de repente, a freguesia móvel. É uma junta de freguesia móvel que se vai deslocar às várias de zonas da freguesia de São Sebastião, precisamente para colmatar uma necessidade que é a de chegar a todos os fregueses. Sabemos que há muita gente que não consegue deslocar-se por ter mobilidade reduzida ou por outras questões, e o serviço de freguesia móvel será uma carrinha totalmente equipada para fazer um atendimento, como se faz aqui, fisicamente, na Junta de Freguesia, a poder percorrer zonas mais longínquas, como, por exemplo, a zona das Padeiras, que fica muito distante aqui dos serviços da junta de São Sebastião. Assim como levar a outras zonas onde existem, por exemplo, pessoas idosas e que, por si, não conseguem deslocar-se até aos serviços, ou porque existem pessoas com mobilidade reduzida que também não conseguem deslocar-se de forma facilitada aos serviços. E, portanto, essa sem dúvida tem de estar pronta durante estes quatro anos.

