O vereador do Movimento Independente “Setúbal de Volta”, Paulo Maia, anunciou, na reunião pública do executivo, que decorreu a 19 de novembro, pelas 16h30, nos Paços do Concelho, que a dívida da Câmara Municipal de Setúbal “aproxima-se dos 100 milhões de euros”.
Dentro deste bolo, e conforme o documento a que o Revela Arrábida teve acesso, 33 milhões são relativos a “empréstimos bancários”, 31 milhões a “fornecedores”, sete milhões a “fornecedores de investimento”, um milhão “ao Estado e entes públicos” e outro milhão a “credores, transferências e subsídios não reembolsáveis”.
A este montante de 73 milhões, juntam-se “três milhões de dívida aos Serviços Municipalizados de Setúbal”, dois milhões “às juntas de freguesia” do concelho e 20 milhões em “injunções”, sendo 17,3 milhões à AMARSUL. Estes números totalizam 98 milhões de euros.
“A análise das contas municipais entre 2021 e 2025 revela, de forma inequívoca, um cenário financeiro profundamente preocupante para o Município de Setúbal. E importa dizê-lo com clareza: este desequilíbrio não nasceu por acaso”, pode ainda ler-se.
“Este diagnóstico não é apenas um balanço do passado. É o ponto de partida para recuperar a credibilidade, restabelecer o equilíbrio e devolver a Setúbal a capacidade de investir, planear e crescer de forma sólida e sustentável”, assinala o documento.
Assim, e “perante esta realidade”, a autarquia vai “avançar com uma auditoria financeira à gestão municipal de 2021 a 2025, bem como à Associação da Baía de Setúbal, onde se afiguram igualmente desequilíbrios graves”,
A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, mencionou, acerca do tema, que, no final do seu mandato, em 2021, a câmara “tinha uma dívida de 50 milhões de euros”, e que nos últimos quatro anos, a gestão CDU contraiu “mais 50 milhões de dívida”.
“Esta dívida já vem de trás. Em 2021, a autarquia ainda estava a pagar um contrato de equilíbrio financeiro feito pelo Partido Socialista. Vamos apurar tudo nas auditorias que vamos propôr”, diz a presidente.
Já Nuno Costa, vereador eleito pela CDU, referiu que a dívida “não foi apenas contraída em quatro anos” e que “não foi em quatro anos”, que os sistemas “ficaram obsoletos”. Na mesma intervenção, referiu que a gestão “implica que haja” instrumentos para gerir a câmara e que a autarquia “tem condições” para o fazer.

