Segunda-feira, 23 Março 2026
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Palmela Desporto volta a ser contestada pela oposição

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O financiamento municipal, entregue à Palmela Desporto, voltou a ser contestado pelos partidos da oposição, durante a votação da prestação de contas apresentada pela empresa, na reunião pública realizada no dia 18 de março, na Biblioteca Municipal de Palmela.

A vereadora da CDU, Fernanda Pesinho, começou por esclarecer que os documentos, que seguiam para deliberação, foram aprovados pelo conselho de gestão da Palmela Desporto, no dia 27 de fevereiro, e que indicavam “um crescimento no número de utilizadores e eventos”, bem como “um saldo positivo” de 2 mil euros.

De seguida, o socialista Pedro Taleço descreveu, com mais detalhe, os números e percentagens, relativos ao ano de 2025. Aqui, mencionou que a base da empresa, segundo os dados, “chega mais forte a 2026”, com um desempenho “claramente positivo”, ao destacar a descida de 35%, para 34% da dependência do financiamento camarário.

Afonso Brandão e José Calado, do Chega, e Roberto Cortegano, do PSD, não viram as contas com os mesmos olhos. Segundo José Calado, os 850 mil euros, investidos na Palmela Desporto, “podiam ser utilizados em outras áreas muito mais importantes” e que a empresa precisa de “ter capacidade para produzir a própria receita”.

O líder da bancada do Chega, Afonso Brandão, acrescentou que a empresa desportiva “não devia dar um prejuízo tão grande” e que o modelo de gestão devia “mudar para algo diferente”, enquanto “existe tempo” para o fazer. Já Roberto Cortegano, apela a que a Palmela Desporto se torne “mais sustentável” e “menos dependente da câmara”.

Perante as acusações e posições, Fernanda Pesinho explicou que “não conhece nenhuma empresa”, com 100% de capitais de municipais, que “tenha lucros, sem o subsídio de autocompensação”.

“A população do nosso concelho ficava mais pobre sem a Palmela Desporto. Não há coisas mais ou menos importantes, todas têm a sua importância. Estamos a investir na saúde e bem estar dos nossos cidadãos”, disse a vereadora.

Pedro Taleço voltou a intervir, para justificar a posição favorável do Partido Socialista, ao falar sobre o serviço público prestado às crianças e à ausência de alternativas ao trabalho feito pela empresa no concelho.

O presidente do conselho de administração da Palmela Desporto, José Barreto, esteve presente na sessão e também utilizou a palavra. “Investimos 40 mil euros na criação de uma clínica e procedemos com o avanço da modalidade do pilates clínico. As perspetivas destes serviços são de alavancar a receita e diminuir o apoio à nossa exploração”, referiu.

Para rematar o assunto, Ana Teresa Vicente, presidente da Câmara Municipal de Palmela, reiterou que ficou “preocupada” com a visão dos vereadores do Chega e que, com ela, a Palmela Desporto “não vai acabar”.

“Se não der lucro, então não há desporto no concelho de Palmela, esta é a visão que o Chega nos traz. A questão da autonomia é sempre discutida, mas não é errado. É responsabilidade da câmara promover o desporto, não era possível termos um departamento municipal a fazer este trabalho”, esclareceu a presidente

“Estamos a falar de uma atividade que cresceu 8%, em termos de utentes. Significa que a empresa gerou mais receita em 2025 do que no ano anterior. Está a tornar-se, lentamente, mais autónoma. Não é uma empresa com o objetivo de ser rentável, é uma empresa que faz o que é preciso para a promoção do desporto no concelho de Palmela”, finalizou.

Por fim, a proposta da prestação de contas foi aprovada, com votos favoráveis da CDU e do vereador Pedro Taleço. José Carlos Sousa, do PS, absteve-se, sendo que o Chega e PSD votaram contra a deliberação.

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