Segunda-feira, 23 Março 2026
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Tiago de Sousa: o designer de Setúbal que trabalha na capital da Arábia Saudita

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Desde 28 de fevereiro que a tensão no Médio Oriente sobe dia após dias, depois dos Estados Unidos da América (EUA), em conjunto com Israel, terem bombardeado pontos estratégicos militares e de desenvolvimento e pesquisa nuclear no Irão.

A resposta imediata surgiu com ataques iranianos a várias bases militares e embaixadas americanas, espalhadas por diversos territórios, incluindo a de Riyadh, a capital da Arábia Saudita, onde o designer de Setúbal, Tiago de Sousa, detém uma empresa de decoração de interiores de luxo desde 2023, com o sócio Mário Picoito.

Em declarações ao Revela Arrábida, Tiago diz que “nunca pensou” que os bombardeamentos se estendessem ao Dubai e Abu Dhabi, apesar de estar consciente que o conflito “podia rebentar a qualquer momento”.

“Pensávamos que isto ia funcionar só entre EUA, Israel e Irão. Ficámos com a ideia de que o Catar e Bahrein, que têm bases militares dos EUA, poderiam ser atingidos e foi isso que começou a acontecer. Achámos que os restantes estados fossem neutros, mas aparentemente não são. Acho que é uma questão política, penso que o Irão está a fazer isto para que os EUA travem um pouco a investida”, diz ao Revela Arrábida.

No dia 3 de março, drones iranianos destruíram a embaixada americana de Riyadh, mas Tiago diz que “tudo permanece muito calmo”, ao salientar a confiança no “sistema antiaéreo” e a atitude “serena” do governo saudita.

“Medo, não, não senti medo nenhum, já passaram por aqui vários drones, mas foram todos intersetados. O momento mais tenso, e o que pode ter sido uma viragem na mentalidade de alguns migrantes, foi a questão dos drones que caíram na embaixada americana, de resto, tudo tranquilo”, menciona.

“O governo português já enviou uma mensagem a dizer que estão a preparar voos de repatriamento. Eu não estou inscrito em nenhum, porque já tinha um voo marcado para Portugal, daqui a 15 dias, para ir de férias. Por isso não me inscrevi no repatriamento. Acho que é uma opção pessoal, tenho um casal amigo que já foi hoje para aí, porque têm filhos, anteciparam a viagem”, explica.

Tiago refere ainda que “toda a gente continua a fazer uma vida normal” e acusa os media de transmitirem informação “de forma desenfreada e sem qualquer controlo”, dando o parecer de uma realidade “muito mais violenta” do que aquilo que se está a passar nos países circundantes ao Irão.

“Falei disto ontem num canal televisivo, editaram e cortaram a parte onde falei sobre o tema. É muita desinformação, muitas coisas fake. Admiro-me como é que um canal passa um vídeo de um hotel em chamas no centro de Riyadh, quando isso não aconteceu. No Dubai sim, houve um hotel que foi atingido por estilhaços de um drone. Agora, estando deste lado de cá, é que me apercebo da quantidade de desinformação que chega à Europa”, esclarece.

“No Irão o cenário é diferente, claro, mas pela Arábia está tudo tranquilo. Tenho amigos no Dubai e em Abu Dhabi, lá, obviamente que a situação está mais tensa, mas fazem uma vida relativamente tranquila e normal”, acrescenta.

Apesar da aparente calma, Tiago já se preparou para o pior cenário possível de guerra e fez uma mala com roupas, comida enlatada, documentos para sair do país e dinheiro físico. Tudo isto “sem grandes alaridos”.

Depois das férias em Portugal terminarem, o designer e decorador de interiores vai avaliar a situação e trabalhar a partir do estúdio de Setúbal. Pretende voltar para a Arábia Saudita assim que possível, caso o conflito não escale para outras dimensões.

Quanto ao negócio internacional, Tiago faz uma “boa retrospetiva”, ao falar do “bom feed back e avaliações positivas” dos clientes de Riyadh. Neste momento tem um novo escritório e uma nova sociedade, desde janeiro de 2026, e já expandiu a decoração de interiores e projetos de engenharia para o continente africano.

“Aqui é um mercado completamente diferente, só a cidade de Riyadh tem 9 milhões de habitantes. Também podemos fazer projetos numa escala muito maior, do que conseguiríamos fazer em Portugal, fazemos trabalhos em vilas completas, palácios e até alguns espaços comerciais, mas continuamos a ter o estúdio em Setúbal”, finaliza.

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