Sexta-feira, 24 Abril 2026
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Francisco Jesus admite “dificuldades em reconhecer” o Chega um “partido democrático”

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A discussão de considerações, do presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Francisco Jesus, e do vereador do Partido Chega, Nuno Gabriel, surge durante a reunião pública do executivo, de 18 de novembro, no Auditório Conde Ferreira. Em causa está o comunicado da Concelhia CDU, que diz ter tido “a iniciativa de dialogar com todas as forças democráticas de Sesimbra”, excluindo o Chega — o único partido com quem a coligação não falou.

O comunicado circulou nas redes sociais, a 6 de novembro, através da página da concelhia de Sesimbra da CDU. O assunto, segundo o vereador eleito pela Chega, Nuno Gabriel, é “grave demais para deixar passar”. [Citando] ‘A CDU tomou a iniciativa de dialogar com todas as forças democráticas de Sesimbra’. Ora, é público que a única força com quem não dialogou foi o Chega. Pergunto-lhe se se revê [Francisco Jesus] nestas palavras”, questiona Nuno Gabriel.

O presidente da autarquia sesimbrense sublinha que o momento se trata “de uma reunião pública” e não “de uma reunião política”. “Aqui tratamos dos assuntos da câmara e não dos assuntos dos partidos. Nós deixamos de ser representantes dos nossos partidos, para sermos representantes da população. Se o comunicado fosse emitido pela câmara eu acharia grave”, admitindo, no entanto, que “subscreve” o comunicado, mencionado “vídeos” do autarca do Chega que dava “mais do que os 60 minutos de discussão [período antes da ordem do dia]”.

“A diferença é que eu não sou o presidente da câmara, e o senhor é. Por isso, responde em nome de todos os munícipes e não apenas por aqueles que votaram na CDU. Não esperava que se fosse rever ao dizer que o Chega é um partido antidemocrático”, assinala Nuno Gabriel.

E acrescenta: “Isso quer dizer que está a dizer a mais de seis mil eleitores, que votaram na segunda maior força política do concelho, que escolheram um partido antidemocrático. É estar a diminuir a escolha de quem votou em nós. Fica-lhe mal, sabendo que é o presidente. Perguntei se se revia nestas palavras e o senhor presidente disse que sim. Se no dia 12 vencesse as eleições, jamais seria capaz de dizer isso”.

Francisco Jesus refuta a interpretação do vereador do Chega, sublinhando que as palavras chegam de um comunicado da concelhia CDU. “Não ponha palavras na minha boca. Ninguém disse que o Chega era um partido antidemocrático no comunicado, muito menos o presidente da câmara. Eu sou membro da concelhia. A CDU é uma coligação de dois partidos, eu sou militante de um deles. O comunicado foi de uma coligação”, adiciona.

“Você é vereador, e a qualidade perante as pessoas, é a mesma. Ainda vamos ouvir que somos o partido da Venezuela ou de Cuba. Assim, registo, porque também posso trazer estes assuntos, para estas reuniões. A sua interpretação coloca as suas próprias palavras no comunicado”, explica o edil.

Assinala que “os partidos são os partidos, as pessoas são as pessoas”. “Se é isso que quer extrair da minha boca, não deixo de ter em conta que temos muita dificuldades, naquilo que é o posicionamento do Chega, e que nós conhecemos a nível nacional e local, em reconhecer como um partido democrático, à luz do sistema que temos hoje em dia e da constituição”, elucida.

“Citando o líder do Chega [André Ventura], ‘esta não é a nossa democracia nem o nosso sistema, queremos outra democracia’. Eu não tenho problemas em falar disso. Temos de ter uma relação institucional. Se o vereador trouxer uma boa proposta para a população de Sesimbra, nós iremos votar a favor, mas se falarmos dos partidos, estamos a mencionar as antípodas, uma vez que a CDU defende a atual democracia”, remata.

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