Os homens trabalhavam. E as mulheres ficavam em casa. Era uma premissa simples de seguir e adequada a todas famílias tradicionalmente portuguesas. Nunca foi simples e, embora decorresse entre cada porta, era um papel coletivo que a sociedade defendia ou, noutra perspetiva, enfrentava.
Assim, nascem peças como “Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa”, título “roubado clandestinamente” a um texto do livro Novas Cartas Portuguesas, a peça parte da criação do primeiro Sindicato do Serviço Doméstico em Portugal, e que vai entrar em cena a 25 de novembro, no Fórum Municipal Luísa Todi, às 21 horas.
Esta é uma história “ainda pouco conhecida, pouco contada, pouco reconhecida e pouco valorizada” sobre o trabalho invisível das mulheres que limpam, cuidam, produzem e educam, explica o Município de Setúbal em comunicado
Com “criação, texto e interpretação de Sara Barros Leitão, dá corpo e voz às mulheres que, ao longo de gerações, sustentaram silenciosamente o quotidiano de famílias e comunidades, reivindicando o seu papel na transformação social”.
Com 90 minutos de duração, “propõe um olhar político e poético sobre o trabalho doméstico e o poder de organização e resistência das mulheres”. Os bilhetes custam 12 euros e podem ser comprados presencialmente ou online.
“É a história das mulheres que limpam o mundo, das mulheres que cuidam do mundo, das mulheres que produzem, educam e preparam a força de trabalho”, lê-se na sinopse do espetáculo.

