Segunda-feira, 14 Setembro 2026
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PS aponta lacunas financeiras na implementação da Polícia Municipal em Setúbal

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O Partido Socialista (PS) diz que o estudo económico-financeiro, que acompanha a proposta de criação da Polícia Municipal em Setúbal, “apresenta lacunas” no que diz respeito à “sustentabilidade financeira” do serviço.

Apesar de terem votado favoravelmente a proposta, os socialistas referem que o estudo executado “não tem em consideração” alguns aspetos, como os custos de instalação, a requalificação e manutenção do espaço e aquisição de viaturas usadas pela nova força de segurança.

Por outro lado, o PS ainda refere que o estudo “assenta em taxas que já existem atualmente” e que estão alocadas a outras despesas do Município. Deste modo, consideram que o benefício social “supera o custo financeiro”, mas que, no entanto, “não é possível afirmar” que a estrutura seja “financeiramente sustentável”.

Estudo financeiro criticado pelo PS, acompanhou a proposta da criação do mapa de pessoal e Regulamento de Organização e Funcionamento da Polícia Municipal, apresentada durante a reunião pública da Câmara Municipal de Setúbal, no dia 9 de setembro, pelas 9h30, nos Paços do Concelho. Documento foi aprovado com voto contra da CDU.

Esta votação decorreu nove meses depois da autarquia ter deliberado o estudo para a implementação deste corpo de segurança, a 23 de janeiro de 2026. A criação desta polícia surgiu após a câmara ter considerado existirem “insuficiências na capacidade de resposta municipal”, em matérias que estão relacionadas com a fiscalização administrativa e prevenção de comportamentos de risco.

Nesta nova deliberação, que ainda terá de ser aprovada pela Assembleia Municipal de Setúbal, é mencionado que a Polícia Municipal de Setúbal “assume-se como uma força pública de proximidade e de policiamento comunitário, atuando na dependência hierárquica direta” do presidente da câmara municipal.

“Com um efetivo inicial de pelo menos 40 agentes operacionais, a recrutar de forma progressiva e faseada, a organização territorial assenta em modelos de patrulhamento diferenciados e adaptados a cada freguesia”, pode ler-se no documento.

Mais, a criação deste corpo policial destina-se, em exclusivo, à fiscalização do cumprimento das posturas municipais, dos regulamentos locais e do trânsito urbano, o que liberta pessoal de diferentes forças de segurança para a realização de outras tarefas de combate ao crime.

Setúbal é das poucas grandes cidades que não tem Polícia Municipal, esta que é responsável por fiscalizar o trânsito, circulação rodoviária e estacionamento, bem como o urbanismo e ambiente, a segurança escolar, a fiscalização de estabelecimentos comerciais e a vigilância e proteção.

Importante esclarecer que a Polícia Municipal não substitui a ação e a presença da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Guarda Nacional Republicana (GNR). Esta fação de segurança depende estritamente da câmara municipal.

Outra nota é que a Polícia Municipal não tem competência criminal e o uso de força é extremamente restrito, visto que a sua ação é muito focada em policiamento e fiscalização administrativa. Apesar disso, os agentes podem efetuar detenções, caso seja um flagrante delito.

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