Militante da Juventude Popular de Setúbal
Há temas que parecem distantes da nossa realidade até ao momento em que deixam de o ser. A segurança é um deles. Enquanto jovem, quero poder sair com os meus amigos, voltar para casa, andar na rua ou utilizar os transportes públicos sem sentir que tenho de estar constantemente atento ao que pode acontecer. Quero poder viver a minha juventude com liberdade, sem que o medo se torne uma presença normal no meu dia a dia.
É por isso que, para mim, falar de segurança não é falar apenas de criminalidade. É falar de liberdade.
Uma pessoa que deixa de sair à noite por receio de ser vítima de violência, que evita determinadas zonas da sua cidade ou que sente insegurança nos transportes não é tão livre como aquela que pode fazê-lo sem esse receio. A liberdade não existe apenas porque está escrita na lei, também precisa de condições para ser vivida.
E acredito que temos de deixar de olhar para a segurança como uma preocupação secundária ou como um tema exclusivo de determinadas gerações. É uma preocupação de todos, incluindo dos jovens.
Não quero viver num país onde a insegurança seja encarada como inevitável. Não quero que nos habituemos a ouvir falar de violência, vandalismo ou criminalidade e simplesmente pensemos que “é assim”. Não deve ser assim.
Mas também não acredito que uma política de segurança séria se possa resumir a discursos ou a respostas feitas apenas depois de o problema acontecer.
É preciso prevenir. É preciso apostar na educação, na integração e na capacidade de identificar situações de risco antes de se transformarem em problemas maiores. Mas prevenção não pode significar ausência de autoridade.
Quando alguém ultrapassa os limites da lei e coloca em causa a segurança ou a liberdade dos outros, o Estado tem de responder. As leis existem para ser cumpridas e as suas consequências têm de ser suficientemente claras e eficazes para que a sua violação não seja encarada como algo sem importância.
Há ainda uma questão que considero fundamental: o respeito por quem nos protege.
As forças de segurança desempenham uma função essencial numa sociedade democrática. Devem atuar dentro da lei, respeitar os direitos dos cidadãos e responder pelos seus atos quando cometem erros. Mas também precisam de autoridade, condições e apoio para cumprir a sua missão.
Não podemos exigir mais segurança aos agentes e, ao mesmo tempo, desvalorizar o trabalho que fazem diariamente.
Defender a autoridade não significa defender abusos. Defender a ordem não significa ser contra a liberdade. E defender a segurança não significa querer viver num Estado que controla a vida dos cidadãos. Significa reconhecer que uma sociedade livre precisa de regras, responsabilidade e instituições capazes de as fazer cumprir.
Acredito num Portugal onde os cidadãos possam viver sem medo, onde as vítimas sejam protegidas, onde quem trabalha para garantir a nossa segurança seja respeitado e onde quem decide infringir a lei saiba que existem consequências.
Talvez por ser jovem possa parecer que este não é um tema que me deva preocupar tanto. Para mim, é precisamente o contrário. É o país onde vou crescer, estudar, trabalhar e construir o meu futuro. E quero poder fazê-lo num país onde a liberdade não seja apenas um princípio abstrato, mas uma realidade que todos possam sentir no seu quotidiano.
Porque, no final, segurança e liberdade não são conceitos opostos. Sem segurança, a liberdade fica limitada pelo medo. E eu quero viver num Portugal onde possamos ser livres sem ter medo de viver.

