Segunda-feira, 11 Maio 2026
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“Talvez, a melhor edição de sempre”: música uniu artistas e gerações em Setúbal pela paz

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“Foram 800 horas de sessões e ensaios, 1200 crianças e jovens participantes dos ensinos regular, artístico e especial, 500 alunos de ensino musical de várias escolas do país, 100 professores, dinamizadores e técnicos, 15 concertos, estágios e masterclasses e 10 espaços de espetáculo em todo o concelho”.

É assim que Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, ilustra a determinação que permitiu concretizar a 15.ª edição do Festival Internacional de Música de Setúbal (FIMS).

O evento, que decorreu de 2 a 10 de maio, em diversos equipamentos e espaços de Setúbal, juntou artistas e população em uníssono, numa causa comum abraçado desde o início: a paz.

“[O festival] tem afirmado a música como instrumento de inclusão, de desenvolvimento social e de valorização da diversidade cultural, mobilizando o concelho em torno da criação artística, envolvendo profissionais e amadores, escolas, instituições, crianças, jovens e públicos de diferentes gerações, uma dimensão inclusiva continua a ser uma das maiores forças deste festival”, disse a presidente no encerramento da edição 2026, realizada no Fórum Municipal Luísa Todi, a 10 de maio.

O tema, “Juntos pela Paz”, mereceu destaque. “Lembra-nos o papel essencial da cultura, num tempo marcado por conflitos e divisões, em que a música continua a ser uma linguagem universal, capaz de aproximar pessoas, promover o diálogo e criar espaços de encontro e compreensão”, assinalou Dores Meira.

O presidente da direção da A7M — Associação do Festival de Música de Setúbal, Carlos Biscaia, agradeceu o apoio do Município e enalteceu o FIMS. “Este projeto tornou-se uma escola de cidadania, que vale a pena, porque não somos só nós que inspiramos as crianças, como elas também nos inspiram a nós e ensinam-nos a sermos melhores.”

Carlos Biscaia disse que, talvez, a edição de 2026 tenha sido a melhor de sempre.

“Não sou eu apenas que o digo, pela qualidade dos artistas, do trabalho com as nossas crianças, pelos mestres e, não menos importante, pelo público e pelas famílias, porque este festival é, efetivamente, uma extensão das famílias, das escolas e do trabalho que se faz neste município”, elucida.

O diretor artístico do FIMS, António Laertes, destacou o trabalho de cinco meses de todos os envolvidos. “Mostraram talento, energia, criatividade, espírito de equipa, sentido crítico, espírito de união, de inclusão, de amor e de paz, em momentos verdadeiramente imersivos”, afirmou.

“Quebra qualquer barreira. Não separa, conecta, não desliga. Evocámos tudo o que podíamos para chamar a paz ao nosso mundo. Libertou-nos, nem que fosse apenas por um bocadinho, do ruído da televisão, da internet, da pressa da vida e da vida apressada que andamos a levar”, rematou António Laertes.

Cultura, diversidade e talento ganharam vida com vários espetáculos 

O certame, organizado pela A7M — Associação do Festival de Música de Setúbal, com financiamento do Município e do The Helen Hamlyn Trust, realizou-se com um “programa de valorização do património cultural e de promoção da música como instrumento de sucesso educativo que aliou projetos artísticos locais a nomes consagrados, de que é exemplo Luísa Sobral”, assinala a autarquia em comunicado.

O programa começou com o concerto “Juntos pela Paz”, na Igreja de Santa Maria da Graça, em que o Coro ComTradição e o Conservatório Regional de Setúbal, dirigidos pelo maestro húngaro László Robert Nemes, interpretaram obras sacras de compositores ucranianos e russos.

Já o “Domingo em Família” foi da Igreja do Convento de Jesus, com o Coral Infantil de Setúbal, até aos Paços do Concelho, onde, no Salão Nobre, a soprano Ana Raquel Sousa e o Coro Feminino TuttiEncantus atuaram, terminando, depois, na Igreja de São Sebastião, com a performance de Carolina Gaspar.

O Fórum Municipal Luísa Todi recebeu com “Irina e os Sons”, um concerto didático pelo Conservatório Regional de Setúbal, com a participação de escolas, baseado numa história de Luísa Ducla Soares, com música de Eduardo Jordão.

Já o tradicional “Desfile do Tempo” levou cerca de 1200 alunos dos 1º e 2º ciclos do ensino básico, com direção de Marco Santos, num desfile de percussão que preenche as ruas da cidade de ritmo, movimento, cor e alegria.

Luísa Sobral construiu com alunos das escolas de ensino artístico da cidade uma “Casinha de Paz”, em concerto com a participação do Conservatório Regional de Setúbal e da Academia de Música e Belas-Artes Luísa Todi realizado no Fórum Municipal Luísa Todi.

O Museu do Trabalho Michel Giacometti recebeu “Escutar a Diferença”, com alunos da APPACDM de Setúbal, do Conservatório Regional de Setúbal e da Academia de Música e Belas-Artes Luísa Todi dirigidos por Aleksandar Zar.

“Novas Vozes de Setúbal” foram dadas a conhecer em espetáculos no Forte de Albarquel, com Maria Vinagre e Dinis Reis, e no Auditório Bocage, com a atuação de Mafalda Louro e do Coral Infantil de Setúbal, com direção de Nuno Batalha.

Duas sessões de “Escrita de Canções”, no Luísa Todi, proporcionaram que alunos de escolas do 1º ciclo do ensino básico, com orientação de Carlos Garrote, partilhassem o palco com o Coro Sénior do Centro Paroquial e Social de São Paulo.

A Escola Secundária D. João II acolheu o espetáculo “Quebrando Barreiras”, com a atuação de ensembles e orquestras de guitarras de escolas de ensino artístico de vários locais do país, em concerto com direção do maestro Gonçalo Gouveia e a participação do guitarrista Dejan Ivanovic.

O 15.º Festival Internacional de Música de Setúbal terminou com o “Concerto pela Paz”, no Fórum Municipal Luísa Todi, com Mafalda Louro e Ana Raquel Sousa acompanhadas de orquestras de sopros e coros de escolas de ensino artístico, com direção do maestro Alberto Roque e narração pelo ator José Nobre.

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