Terça-feira, 1 Setembro 2026
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Bruno Vigário: “Somos mesmo uma família. Espero que nunca se perca esse fim que todos destinamos”

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O Núcleo Recreativo e Desportivo (NRD) Ídolos da Praça celebrou, a 16 de agosto, 51 anos da sua fundação. A coletividade desenvolveu, ao longo do anos, diversas atividades na área cultural, desportiva, associativa e de formação, nomeadamente no futebol.

Ao longo dos anos, preservou-se a tradição, aliada com a necessidade de inovar e implementar novas modalidades, além das perspectivas de melhorar infraestruturas e encontrar novos espaços para receber mais associados, mais eventos e práticas desportivas diversificadas.

Bruno Vigário, presidente do NRD Ídolos da Praça, falou acerca dos projetos pensados para a associação num futuro próximo, como a sala de troféus, e recordou os pilares que sustentam um espaço que considera “casa” e “família” para todos aqueles que a procuram.

Foram celebrados 51 anos. O que é que se pode esperar para este novo ano? Quais é que são os planos? O que é que querem implementar?
O que temos marcado para os 51 anos — e para este ano corrente, que já está a acontecer — é, sobretudo, dar continuidade à valorização das infraestruturas e formatá-las para aquilo que é a nossa realidade atual. Deparamo-nos, diariamente, com uma falta de espaço tremenda para dar condições às nossas atividades —, quer culturais, quer desportivas —, e é aí, para além da nossa normal atividade que nos temos focado mais, que temos de encontrar estratégias e criar condições para acolher as atividades que desenvolvemos: dar-lhes mais condições e criar novas. 

Quais é que são essas atividades? Quais é que são as principais modalidades? 
O que nós mais sentimos necessidade é de criar um espaço multiusos que dê permissão para criar atividades que já nos foram propostas por diversos técnicos, como aikido, kickboxing, ténis de mesa… outras modalidades não tão recorrentes como é o futebol — e que também é a bandeira do nosso clube —, mas criar os espaços que permitam desenvolver esse tipo de atividades que estão no plano da direção. Temos o salão social, como vocês o conhecem, que está formatado, basicamente, para a atividade do zumba que lá é desenvolvida, e algumas reuniões que o clube necessita, só que condiciona muito em termos de horários. Por exemplo, se tiver uma reunião marcada para hoje, já não posso desenvolver lá a aula de ténis de mesa.

O que é que têm pensado? 
Formatar o salão social para uma área mais social e criar, dentro das nossas instalações — já temos espaço e projeto para desenvolver isso, brevemente —, por exemplo, uma sala de reuniões, que já liberta horas do nosso salão para desenvolver outras atividades, e criar no espaço de convívio de São Sebastião um mecanismo que permita acolher outras atividades. O espaço é aberto. Não podemos fazer uma cobertura porque a legislação não permite dado o distanciamento entre os prédios, mas conseguimos solucionar através de um primeiro andar que o parque tem, que também é aberto, mas que tem uma área útil que permite criar a sala de reuniões e, por exemplo, o espaço para o ténis de mesa.

Esse é o principal objetivo para o próximo ano? Começar essa mudança? Ou é algo que ainda vai demorar?
Sim, queremos até ao final do mês de setembro, no espaço que já existe na sede, mas vai ser requalificado, criar a sala de troféus que o clube não tem. O clube tem os troféus em exposição no salão social, mas não há um espaço digno que as pessoas possam visitar e perceber. Os troféus têm que ser catalogados, o inventário está feito, mas tem que ser tudo tecnicamente mais valorizado para uma pessoa que queira visitar as nossas instalações, ou até, como já aconteceu, parceiros que pretendem conhecer a história, ser mais fácil de aceder, por exemplo, a quantos títulos já tivemos nas marchas populares, a quantos campeonatos já ganhamos da associação, a quantos prémios fair play já há… 

Mencionou as marchas populares. Tendo em conta que os Ídolos da Praça não participaram durante algum tempo, como é que considera o resultado obtido na última edição?
Tenho uma forma de viver as marchas, e de estar nas marchas, totalmente diferente de, se calhar, alguns dirigentes. Eu encaro as marchas populares, e é por isso que o clube também participa com a marcha infantil, como um espaço cultural. De promoção da cultura e da comunidade. Das pessoas se envolverem, se conhecerem, de criarem amizades, convívios. E o resultado, enquanto presidente e também de toda a direção que me acompanha nesse sentido, está mais que à vista. Porque são várias as pessoas que nos procuram. Não temos ficado mal classificados na classificação final do certame, mas o primeiro resultado foi superado logo em 2024, quando voltámos, depois em 2025, e agora, em 2026, novamente com a nossa participação. Porque o nosso resultado, e o que temos definido internamente, é as pessoas serem felizes. Cumprir esta tradição que é enorme na nossa cidade, e em termos da comunidade também é vista como ser um pouco delas. E é porque são as pessoas que fazem as marchas populares. É com
esse resultado que nós contribuímos para a história da cidade. Contribuímos para as tradições e para a cultura. Esse resultado ninguém nos tira porque temos tido muita procura, e todas as pessoas querem marchar conosco, mesmo para ajudar e para estarem presentes… para participarem nas festas que realizamos para a marcha, os vários convívios, karaoke, noites de fado… tudo o que desenvolvemos em prol da marcha tem muito adesão, e isso para nós é o fundamental — é tirar as pessoas de casa e que as pessoas se sintam em casa. Aquela, que é a casa delas, também, que é os Ídolos da Praça.

Queria recuar e perceber porque é que se formaram os Ídolos da Praça. Qual é que é a história por trás desta coletividade? Quais é que são as conquistas? E as mudanças que foram acontecendo?
Os Ídolos da Praça foram criados pelos moradores do bairro da Praça Olga Morais Sarmento. Naquela altura, alguns miúdos que gostavam de jogar futebol — que se via muito antigamente, e que, de ano para ano, se tem vindo a perder isso —, e um senhor impulsionador do futebol, que dá nome ao nosso campo de jogos Manuel Alves, juntamente com a força viva das pessoas que viviam no bairro, naquela altura, decidiram criar os Ídolos da Praça mesmo para esse propósito, para o futebol formação. É um projeto que tem vindo a ser consistente e as pessoas têm tido muita adesão. Ao longo dos anos o crescimento tem acontecido — e não é puxando a brasa à minha sardinha, é a realidade. O projeto e o seio daquilo que foi criado, que foi para a prática desportiva, tem vindo a fugir um bocadinho nesse sentido porque são várias as atividades também culturais que desenvolvemos. Já não somos um clube só direcionado para o desporto, também somos para a cultura, para o recreio, intervenção social, e, ao longo dos anos, o caminho que temos feito é sempre pensar nas pessoas. Tentamos sempre, ao máximo, não fugir e respeitar aquilo que foi a intenção dos fundadores do clube. Ainda há pouco disse que a bandeira dos Ídolos da Praça é o futebol, embora todas as atividades e modalidades, desde a pesca desportiva, o BTT, o cicloturismo, o Zumba… são todos acarinhados da mesma forma, porque todos, diariamente, fazem os Ídolos da Praça.

Também há uma aposta na formação dos mais novos…
Nós apostamos muito no contexto do futebol formação e o nosso slogan também veio um pouco a par disso [“Mais que um clube, uma família”]. Sente-se a necessidade, diariamente, dos jovens praticarem desporto e que tenham a possibilidade de o fazer e desenvolverem aquilo que gostam. O futebol é um desporto muito procurado e o contacto direto que temos com as crianças, com as famílias, os pedidos de apoio que recebemos, os pedidos de apoio que, embora que não sejam pedidos, nós nos apercebemos e acompanhamos. A felicidade das crianças de terem aquele momento após a escola, às vezes até têm um ambiente em casa que não é tão desejado, e vão para ali e encontram felicidade… isso é tudo o caminho que temos decidido fazer e traçar ao longo destes anos. E é mesmo, também, por causa disso que não procuramos resultados desportivos das equipas. Procuramos uma competição saudável, ambientes de fair play, a felicidade das crianças, a felicidade das famílias porque aquilo acaba por ser um escape, também, para as famílias. Os pais juntam-se na sede, fazem convívios, há almoçaradas, jantaradas, e é mesmo um espaço de partilha que somos.
Temos alunos de formação de petites e traquinas e em competição temos benjamins e juvenis. Existem quase 200 crianças a praticar futebol de formação, e todas elas, ali, são felizes. Até já têm sido convidados para clubes como a Benfica, como a Sporting, para treinos de observação do Porto. Vários clubes que também já têm um projeto desportivo sustentado e qualificado, e as crianças optam sempre pela felicidade e por ficar nos Ídolos. Isso é um motivo que nos orgulha diariamente. É que o trabalho está a ser bem conseguido e que as crianças, sobretudo, pensam na felicidade e não nos resultados

Quantos sócios é que têm, neste momento?
Temos, atualmente, com a renumeração feita há pouco mais de um ano, 550 sócios.

E qual é que é o futuro dos ídolos da praça?
Em que sentido?

Esse número de sócios é algo que tem vindo a aumentar, a diminuir, ou a manter-se? Por outro lado, qual é que é a perspectiva que têm para o futuro da coletividade?
Respondendo à pergunta da questão dos associados, parece pouco, mas é muito. Porque quando chega a um ano, um ano e meio da última atualização, fazemos sempre atualizações novas, porque gostamos de ter a realidade do clube e saber com quem é que podemos contar, quem é que são os sócios do clube, quem é que paga, efetivamente, as cotas, para, todos os dias, termos aquele número real para mostrar aos parceiros, às entidades e para conhecerem a realidade associativa do clube. É por isso que parece pouco em relação, se calhar, a outros clubes, mas para nós, por exemplo, os nossos atletas todos são sócios do clube, todos os que frequentam as nossas modalidades têm a obrigatoriedade de serem sócios do clube.

Têm uma comunidade grande, portanto…
Temos uma comunidade muito grande porque também incluímos, por exemplo, numa família que tem uma criança a jogar, a mãe e o pai, embora que não sejam sócios. Uns procuram, outros não procuram, por questões financeiras ou por outro motivo e é tudo normal. Relativamente aos órgãos sociais, têm pernas para andar, assim como o clube. Embora eu seja o presidente da direção, temos uma vitalidade muito forte. Temos pessoas, mesmo que não façam parte dos órgãos sociais, que ajudam. São pessoas jovens, pessoas mais séniores, que também fazem falta para o conhecimento. Tenho mesmo total confiança naquilo que estou a dizer: o clube tem pernas para andar e ainda vão ouvir falar muito mais dos Ídolos da Praça. É só termos a possibilidade de, um dia, conseguir um fundo de investimento do Estado, e até da autarquia, de fazer o segundo andar e a nossa projeção vai disparar ainda mais.

Quer deixar uma mensagem aos sócios?
Bem, aos sócios, quero deixar uma palavra de agradecimento e de reconhecimento. Acredito, também, que, pelo caminho que temos feito juntos com os Ídolos da Praça, é que o clube é o que é hoje. Apelar ainda mais à união e à coesão de toda a massa associativa… aos sócios, aos órgãos sociais. Somos mesmo uma família e espero que nunca se perca esse fim que todos destinamos. Participem nas nossas atividades. Cada vez mais serão mais as atividades que serão apresentadas. Dentro das próximas semanasm, vamos fechar mais programas, quer desportivos, quer culturais, para dinamizar em todas as idades.  Sobretudo, respeitem os Ídolos da Praça e continuem a gostar dos Ídolos da Praça e a dignificá-lo. 

A nível mais pessoal, como é que se sente por ser presidente desta coletividade?
Sinto-me orgulhoso. Sinto-me feliz porque tenho as melhores pessoas comigo. Tenho a sorte de presidir um clube grande como os Ídolos da Praça, com a responsabilidade dos Ídolos da Praça. Eu, às vezes, até me esqueço no sentido do contexto em que estamos inseridos. Esqueço-me de que sou presidente porque tão depressa estou a lavar balneários, como estou a estender equipamentos ou a atender pais. O contexto em que estamos inseridos é de um orgulho enorme e uma felicidade tão boa de ver igualmente felizes aquelas pessoas e trabalhar para elas diariamente… não há dinheiro nenhum que pague e eu não sou pago nos Ídolos. Em vários dos trabalhos que eu, felizmente, já tive e que me fizeram crescer, se falarmos em contexto financeiro, nunca nenhum trabalho me pagou aquilo que os Ídolos da Praça me pagam, em felicidade, em conhecimento e em estar próximo das pessoas.

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