Foram aprovadas, na última reunião pública da Câmara Municipal de Setúbal, realizada a 4 de março, três propostas para apoio financeiro a companhias de teatro da cidade sadina – TAS – Teatro Animação de Setúbal, Teatro Estúdio Fontenova e GATEM – Espelho Mágico –, no âmbito de protocolos de colaboração, com financiamento a ultrapassar os 200 mil euros.
O TAS – Teatro Animação de Setúbal recebe apoio no valor de 100 mil euros, destinado à “estrutura e atividades complementares, criação e produção artística, bem como o serviço educativo nas escolas do Concelho”, pode ler-se na deliberação. “Detentor do estatuto de Entidade de Utilidade Pública conferido a 17 de outubro de 1987, é “uma das instituições culturais mais proeminentes e valiosas no concelho e na região, especialmente no domínio das artes cénicas”, acrescenta o documento.
O protocolo de colaboração prevê o montante de 90 mil euros destinados ao Teatro Estúdio Fontenova, destinado às mesmas atividades diversas da área cultural, bem como para a organização do Festival Internacional de Teatro de Setúbal – Festa do Teatro.
O documento realça que a companhia tem desenvolvido, ao longo de 40 anos, “uma atividade de reconhecida relevância no domínio das artes cénicas” e “tem vindo a ultrapassar as fronteiras do concelho, assumindo um papel fundamental na dinamização e no fomento da atividade teatral”.
A GATEM – Espelho Mágico, Cooperativa Cultural, recebe 15 mil euros do Município, montante financeiro destinado a apoiar a produção de espetáculos de teatro e ações desenvolvidas na comunidade educativa. A companhia dedica-se à “realização de atividades culturais, artísticas e recreativas, com prioridade para a promoção e divulgação da cultura e artes teatrais e para a formação de públicos”.
As deliberações assumem o compromisso da cedência de instalações municipais para o desenvolvimento dos trabalhos das companhias de teatro cujos protocolos de colaboração são assinados.
Chega vota contra apoio financeiro às companhias TAS – Teatro Animação de Setúbal e Teatro Estúdio Fontenova (TEF)
Se, por um lado, o protocolo de colaboração entre o Município de Setúbal e a GATEM – Grupo de Animação e Teatro Espelho Mágico, Cooperativa Cultural foi aprovado, por unanimidade, na reunião camarária, os documentos relativos à parceria com o TAS – Teatro Animação de Setúbal e TEF contaram com voto contra do Chega.
Em comunicado, o partido assume que a decisão “não representa qualquer oposição à cultura ou às artes”. “Entendemos que os apoios públicos devem obedecer a critérios de neutralidade, respeito pelo pluralismo e responsabilidade na utilização do dinheiro dos contribuintes. Sempre que existam iniciativas que possam envolver ou promover posicionamentos ideológicos que colidam com os princípios e linhas orientadoras do nosso partido, consideramos que não devemos acompanhar esse tipo de financiamento com recursos públicos”, enuncia a mesma nota.
O partido esclarece ainda que vai “apoiar entidades, associações e instituições que promovam eventos de carácter familiar, tradições populares, romarias, festas locais e iniciativas culturais que unam a comunidade setubalense”. “A nossa posição assenta, assim, num princípio simples: respeito pela cultura, responsabilidade na gestão do dinheiro público e coerência com os valores que defendemos”, pode ler-se no documento.
Após declaração de voto, na reunião da câmara municipal, pela voz de António Cachaço, Fernando José, vereador do Partido Socialista, pediu o esclarecimento de que peças ou produções “vão contra os princípios das famílias tradicionais portuguesas”, consideradas “impróprias”, assumindo que essa é uma “acusação grave”, tendo em conta que as companhias são “uma marca da cidade” há várias décadas.
Nuno Costa, vereador eleito pela CDU, sublinha as palavras do socialista e afirma recusar-se a “ser censor das companhias de teatro”, onde existe “liberdade artística e criativa”.
A peça “O Manual do Bom Fascista”, do TAS – Teatro Animação de Setúbal, e os eventos Noite de Poesia Queer e 1ª Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Setúbal, pelo TEF, foram os exemplos dados por António Cachaço. Fernando José e Nuno Costa rematam ao “registar” o motivo do voto contra “para memória futura”.

