Quinta-feira, 23 Abril 2026
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Roberto Cortegano: “Somos livres e não nos calam. Nem de um lado, nem do outro”

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Roberto Cortegano foi o vereador eleito pelo Partido Social Democrata (PSD) à Câmara Municipal de Palmela. Cabeça de lista e candidato à presidência da autarquia, cumpre funções políticas na vereação da câmara desde 2021.

Depois das eleições autárquicas 2025, realizadas a 12 de outubro, o Revela Arrábida falou com o social democrata, de modo a entender a posição do partido dentro do novo executivo camarário, ao mesmo tempo que é abordado um balanço geral dos resultados obtidos nas urnas, além do trabalho que pretende ser desenvolvido ao longo destes quatro anos de mandato.

O que é que achou dos resultados globais destas autárquicas no concelho de Palmela?
No global, é claro que o nosso objetivo era ganhar a presidência da Câmara de Palmela. Nós concorremos sempre para ganhar. Quanto ao nosso resultado, fiquei satisfeito porque em relação, por exemplo, às últimas autárquicas para a câmara municipal, nós tivemos o dobro dos votos. Elegemos muitos mais autarcas em todos os outros órgãos autárquicos, portanto, elegemos mais uma pessoa para a assembleia municipal, elegemos mais dois no Pinhal Novo. Tivemos a melhor votação de sempre, também no Pinhal Novo. Na Quinta do Anjo, tínhamos um autarca, elegemos mais um, ficámos com dois, e em Palmela também. Penso que os resultados foram bons.

E em relação à Câmara Municipal de Palmela?
Para a Câmara Municipal tivemos 4216 votos, sendo que nas últimas autarquias tínhamos tido 2080, portanto, foi mais do que o dobro. Infelizmente, esse resultado na câmara municipal não se traduziu em mais um vereador, o que é pena, dada a conjuntura dos resultados ter havido três partidos acima dos 25 por cento, com distâncias muito curtas entre elas. Em qualquer outro ano, com 4216 votos, teríamos tido dois, para não dizer três, vereadores, mas agora não foi possível. De qualquer forma é uma votação que me deixou muito satisfeito, porque temos outras pessoas a acreditar em nós. Significa que houve mais pessoas que acreditaram no nosso projeto, que temos mais representação no concelho e que o nosso trabalho, que temos feito nos últimos anos a nível interno do PSD com a população, mostrou resultados.

Refere que dobraram o número de votos, desde 2021. Na sua perspectiva, o que correu bem para isso ter acontecido?
Os últimos quatro anos, para não dizer até mesmo já antes, desde as últimas autárquicas até aqui, correram bem. Eu sou, também, o presidente da comissão de política desde 2020 e nós tivemos sempre uma estratégia e um comportamento de não sair à rua só quando há campanha ou só quando há eleições. Especialmente nos sábados de manhã, por exemplo, que era quando as pessoas tinham mais disponibilidade, porque nós não temos cargos políticos aqui em Palmela, portanto não estamos no executivo com pelouros, não temos pessoas dedicadas à política a tempo inteiro. Todos nós temos o nosso emprego e nenhum de nós é político profissional, então temos que despender o nosso tempo e a nossa vida pessoal para exercer política.

Assim sendo, o que o faz continuar?
O que me faz continuar? Isso é uma boa pergunta. Eu às vezes digo que sou um bocadinho como aquelas pessoas que gostam de sofrer, os masoquistas. Obviamente estou a brincar. Sempre trabalhei no setor privado. Aliás, trabalho desde os 16 anos e nunca estive no setor público, nunca tive um emprego público e nunca tive nenhum cargo político remunerado. Sempre tive o meu próprio emprego. Agora, nos últimos dois anos, tenho uma empresa em conjunto com a minha mulher, de contabilidade e consultoria, no Pinhal Novo.

É essa a sua área?
Sim, a minha área sempre foi planeamento e controlo financeiro. Posso dizer que estive em empresas de telecomunicações, até decidir, agora, ter o meu próprio projeto. Isto que eu faço aqui na política é tudo da minha vida pessoal. Depende da minha vida profissional, com o meu curso próprio. Nunca tive nenhum cargo político remunerado. O que me faz fazer isto realmente é o gosto, o gosto pela política, o gosto pela política local, o interesse pelo nosso concelho, pela nossa terra, pelas pessoas, o conhecer, o adquirir, o saber como as coisas se fazem e depois ver que realmente o concelho de Palmela está, há muitos anos, estagnado e subdesenvolvido. À medida que nos vamos inteirando e apercebendo, mais vontade existe de fazer melhor, porque realmente o que vemos não é bom, é muito mau, é muito, muito “poucochinho”, digamos assim.

Consegue dar um exemplo?
Consigo dar vários. Costumo dividir, aliás, já o anterior vereador o fazia, é uma coisa que nós aqui em Palmela, no PSD, falamos. A frase não é minha, mas adequa-se perfeitamente. Portanto, parece que há aqueles problemas que são os problemas já do passado do século passado. Problemas que já deviam estar muito mais que resolvidos, como o lixo ou a limpeza urbana. As vias municipais, os aceiros, as estradas em mau estado em que se encontram. A mobilidade é outro dos problemas que temos, de mobilidade, de acessibilidades, são tudo problemas que já são problemas do século passado, como nós dizemos. Depois há aqueles que é o desenvolvimento, que é a escolha de evoluírem e que não se vê. Temos graves problemas na mobilidade, temos graves problemas de acessibilidades, temos graves problemas no urbanismo, principalmente são conhecidos os problemas do urbanismo da câmara de Palmela, em que, limitam tudo relacionado com a construção, como agora o PDM (Plano Diretor Municipal). O presidente quis aprovar por duas vezes e não conseguiu. Graças a Deus.

Porque é que utiliza essa expressão? “Graças a Deus”.
Porque era um PDM que iria atrasar ainda mais o concelho e o desenvolvimento de Palmela, durante muitos anos, e ainda bem que não foi aprovado e que todas as forças políticas, tirando a CDU, perceberam isso. Não na câmara municipal, infelizmente, porque o PS na câmara municipal já era, e agora continua a ser, a muleta da CDU, portanto, CDU ou PS na câmara municipal é diretamente a mesma coisa. É bom que as pessoas percebam isso e mais uma vez no PDM demonstraram isso, porque até o próprio PS na assembleia municipal teve depois um comportamento diferente daquele que tinha na câmara, que era de deixar passar o PDM.

Qual era o problema do PDM, na sua opinião?
Era um completo atraso para o concelho, especialmente nas áreas urbanas. Ou seja, terrenos em que se possa construir em 50 por cento, juntando todas as freguesias, basicamente era aproximadamente 50 por cento, aumentava-se imenso o tamanho dos terrenos na zona rural em que se pode construir, ou seja, iria dificultar muito mais a construção e a habitação no concelho de Palmela. Ao passo que depois nós vemos que já não há quase ninguém que não conhece alguém que está a construir uma casa ilegal. Até em contentores marítimos já se vive no Concelho de Palmela à vista de qualquer pessoa, portanto, uma coisa não combina com a outra, como é óbvio. Depois temos este tipo de problemas assim, isto era mais uma daquelas coisas em que Palmela está completamente atrasada no tempo.

O PSD considera, pegando aqui no exemplo do PDM, que tinha de haver ali um ajuste para se adequar à atualidade?
Não digo que está tudo mal, como é óbvio, mas teríamos também que analisar, até porque eu não sou especialista em PDM, não é esta a minha área, estas coisas que eu estou a dizer são coisas que nós vemos facilmente, verificamos e depois consultamos pessoas especialistas na área, com quem falamos. A ideia geral era esta e foi também das outras forças políticas. Não digo que está tudo mal, mas há ali coisas que teriam que ser muito bem explicadas e que têm que ser analisadas, até porque há ali coisas que nós não vimos em mais nenhum PDM a nível nacional.

Como por exemplo?
A questão da perequação. A pessoa que vai construir tinha que, em alguns casos, dar quase 70 por cento do terreno para a câmara municipal, para poder construir. Depois é aplicada, a nível de perequação, uma percentagem aos terrenos que a pessoa teria que ceder à câmara municipal, que é igual para todo o concelho. Ou seja, o concelho não é todo igual. Um terreno no Pinhal Novo não tem o mesmo valor, nem pode ser considerado igual, a um na Quinta do Anjo ou no Poceirão. Em outros municípios do País, era diferente por zonas, por freguesias e até por bairros. Aqui não. É aplicado um número igual para todo o concelho. Há qualquer coisa que não está bem explicada. Isto é apenas um dos pontos.

Voltando às autárquicas. Houve alguma surpresa para si, em relação aos resultados eleitorais?
Eu confesso que sabia, por exemplo, do crescimento do Chega que se verificou nas últimas eleições, mesmo a nível nacional. Confesso que esperava que fosse um partido que subisse aqui no nosso concelho.

Mas assim tanto?
Não esperava que, realmente, tivesse esta votação tão alta. Foi uma das coisas que me surpreendeu. O PS, por outro lado, surpreendeu-me pela negativa. Também não se espera muito mais de um partido que é a muleta da CDU, não é? Que desiste de fazer oposição para ter vereadores com pelouro, como já acontecia, para dar suporte à CDU, para a CDU continuar a implementar a política que quer, seja a nível de orçamentos, quer seja a nível de tudo aquilo que é fundamental e importante para o concelho. O PS apoia sempre a CDU, portanto, é como se a CDU continuasse a ter maioria. Foi penalizado por isso, perdeu um vereador. Mesmo assim, continua, agora, a fazer o mesmo. Portanto, surpreendeu-me pela negativa, mas acho que as pessoas demonstram bem aquilo que pensam e o que acham.

Se o novo executivo CDU tivesse proposto um pelouro ao PSD, tinha aceite?
Antes de mais alguma coisa, é fundamental, para mim, o que aplicamos a outros órgãos autárquicos e que foi definido pelo próprio PSD em Palmela, que é: nós aceitávamos pelouros, desde que isso ajudasse esse executivo a ter uma maioria e que desse estabilidade para se conseguir governar. Não conseguindo fazer uma maioria, no nosso entender, estava fora de questão fazer parte de uma solução. Como é óbvio, não era uma coisa que eu dissesse que era impossível, dependendo da situação, mas sempre partindo deste princípio, que formaríamos uma maioria que causa estabilidade, nunca para entrar numa força em que continuássemos em minoria, isso não faria o mínimo sentido.

Não existiram conversações com outros partidos?
Comigo ninguém conversou. Nem eu com ninguém.

Como é que vai representar o PSD durante estes próximos quatro anos? Tendo em conta a mudança do panorama político.
É diferente, de facto, mas para nós essa diferença faz-nos continuar igual, que é livres, como sempre, a defender aquilo que temos que defender, a fazer a oposição que temos que fazer. Sempre numa base construtiva de diálogo, sempre democrático, mas denunciar aquilo que nós achamos estar mal. Não temos acordos com ninguém, não estamos presos com ninguém, estamos completamente livres. Aliás, não sei se assistiram à primeira reunião, mas já fiz questão de demonstrar como podemos defender as nossas ideias. Podemos marcar a nossa posição sem ter problemas nem à direita, nem à esquerda, porque como disse, e bem, o líder da bancada na assembleia municipal do PSD, Cais Vitorino, “a nós não nos calam, nem de um lado, nem do outro”. O que nós queremos é marcar a nossa posição, ter uma posição própria. Como sempre, vamos continuar a defender Palmela e não estamos presos por mais nada.

Quais são os principais eixos e propostas que gostavam de ver implementadas em Palmela, nos próximos quatro anos?
Passa muito por aquilo que eu disse há pouco. Existem aqueles problemas que já toda a gente está farta de ouvir.

Estamos a falar de algo urgente e específico na visão do PSD?
Penso que o urbanismo é um problema muito preocupante, até por aquilo que depois nós vamos vendo aqui em Palmela e que é do conhecimento público e da comunicação social. Nós ligamos a televisão e vemos Palmela a ser falada pelos piores motivos. É a construção ilegal, é bulas da habitação, habitações a serem construídas há anos, mas ninguém viu, ninguém sabe. Como é que é possível? O urbanismo e a própria fiscalização, neste caso, também são coisas que estão muito interligadas porque uma coisa leva a outra. Penso que é um caso grave e que tem que ser pensado e repensado. É necessários fazer um estudo desta área e não é preciso descobrir a pólvora. Devem haver exemplos noutros concelhos que funcionam bem. São poucas as empresas que se sentem bem em vir para Palmela, também pelas próprias condições que lhes são dadas depois, mas, basicamente, penso que é uma área que tem, de facto, de ser tratada com urgência.

Quais são os desafios que pensa encontrar neste mandato?
Isto fácil nunca é, até porque não estando no executivo, com funções executivas, ou funções em alguma área dentro da câmara, é sempre mais difícil. Temos a nossa vida pessoal e vimos às reuniões fazer a oposição, digamos assim, mas, no entanto, temos que continuar sempre preparados para estar a par dos assuntos e mantermo-nos informados, o que nunca é fácil, mas é por isso é que estamos cá, senão, não estávamos.

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