Quarta-feira, 29 Abril 2026
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Afonso Brandão: “Podem fazer coligações. O Chega vai continuar a ser oposição”

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Com o clima mais sereno, depois das eleições autárquicas 2025, no concelho de Palmela, realizadas a 12 de outubro, o Revela Arrábida falou com o candidato à presidência da câmara municipal pelo Partido Chega, Afonso Brandão, de modo a entender a posição do partido dentro do novo executivo camarário.

Além disso, também são abordados possíveis bloqueios governamentais à ação do partido, bem como o crescimento e as principais áreas de ação que o chega quer abordar no próximo quadriénio de 2025 a 2029.

Como é que se enquadra o Chega neste novo executivo camarário?
O Chega enquadra-se olhando muito democraticamente para os resultados que obtivemos nestas eleições, sendo que a CDU obteve mais 180 votos que nós e elege a presidente e dois vereadores, da mesma forma que nós elegemos três vereadores.

Certo, mas como vêm o cenário de aprovação e rejeição de propostas?
Vamos esperar pela primeira reunião do executivo para ver qual é a decisão da presidente da câmara em termos de pelouros.

Pode ir algum para o Chega?
Para nós está fora de questão. Somos líderes da oposição e é isso que vamos fazer, uma oposição séria em prol da população de Palmela e da sua qualidade de vida. Foi isso que nos trouxe a eleições e é isso que nos vai fazer continuar a trabalhar durante os próximos quatro anos. Cimentamos a nossa posição na terra, sendo que há quatro anos tivemos seis autarcas eleitos e agora somos 37, em Palmela. Temos de cimentar o caminho para ganharmos a eleições em 2029. É essa a nossa estratégia.

Ana Teresa Vicente já tornou público que existem conversações com o Partido Socialista. Acha que isso pode criar algum bloqueio aos planos que o Chega tem para Palmela?
Não. Nós só entendemos um possível bloqueio feito pela população, que não foi o caso, a população escolheu o Chega e elegemos três vereadores. A senhora presidente dá o braço e faz as coligações com quem quiser e nós estaremos cá para fazer o nosso papel de oposição. Certamente que trabalharemos esse tema com um remate final daqui a quatro anos.

Mas vê a possibilidade de uma união entre a CDU e PS?
Se isso se vier a concretizar é mais uma geringonça que tem funcionado mal no Governo e que vem funcionando mal em Palmela, porque a coligação entre a CDU e o PS acontece há alguns anos e os resultados estão à vista. Ambas as forças estão cada vez mais fracas e nós continuaremos o trabalho a subir e ter a confiança do concelho de Palmela.

Mencionou que a porta das conversações está fechada para a CDU, a situação é a mesma em relação ao Partido Socialista.
Não fazemos coligações com ninguém, viemos a eleições sozinhos com a nossa marca e equipa e não fazemos coligações. As coligações eu acho, democraticamente, embora a lei permita, que deveriam apenas ser feitas antes das eleições. A lei permite e nós aceitamos isso com tranquilidade.

Nunca pensaram em juntar-se a outro partido?
Não precisamos de ter coligações com ninguém, o que precisamos é de trabalhar e mostrar resultados com empenho. O caminho faz-se caminhando, temos muito tempo para mostrarmos o que somos capazes de fazer e a diferença que vamos fazer e conquistar as próximas eleições.

Quais são os principais objetivos do Chega em Palmela, como disse, sendo a principal força de oposição?
O principal foi uma das bandeiras que tivemos nesta campanha. Há vários, mas aquele que me vem logo à memória é meter o urbanismo a funcionar. Nós temos uma estagnação no concelho muito grande, derivado à falta de de dinâmica do departamento de urbanismo da Câmara Municipal de Palmela.

Consegue dar exemplos?
Sim, para ter uma ideia, se quiser construir algo em Palmela tem esperar no mínimo três anos para que seja aprovado o processo, é a média. Se quiser fazer investimentos nos termos de uma indústria, e que não seja uma multinacional, porque essas trazem a porta aberta do Governo, se for uma média ou pequena empresa irá demorar mais três ou quatro anos e ninguém está à espera disso. Portanto, os empresários saltam para os concelhos vizinhos.

Qual é a solução do Chega?
É meter o urbanismo a funcionar, pressionar e ajudar, com outra forma de ver a gestão, a câmara a conseguir meter essa área a funcionar. Temos um concelho enorme onde o saneamento básico não chega a grande parte das freguesias de Palmela, Poceirão e Marateca. Estamos à espera para ver qual é o plano do executivo para colocar esta área a funcionar. Também há muito a fazer na descentralização de competências no parque escolar, há muitas bandeiras bem claras, na nossa cabeça, sobre o caminho que queremos seguir para o concelho.

Apesar do Chega ter tido um grande crescimento, o que faltou fazer para conquistar os quase duzentos votos que deram vitória à CDU?
É como lhe disse, o caminho faz-se caminhando. Somos um partido com seis anos e são as segundas autárquicas que vemos. Fomos a votos sozinhos, sem coligações, sem braços dados com ninguém. Tivemos, na oposição, uma antiga presidente, uma pessoa que passou grande parte da carreira na câmara de Palmela, é uma cara muito conhecida. Temos um presidente da Assembleia Municipal e também já vereador no passado, do lado do PS. No PSD também é uma cara conhecida e foi vereador num mandato. Por isso, precisamos do nosso tempo para fazer esta caminhada.

Então podemos assumir que o plano do Chega é algo para o futuro?
Temos muita tranquilidade, sabemos muito bem onde temos os pés. Tivemos um resultado histórico, onde um partido com seis anos conquistou duas freguesias de quatro. Fomos o partido mais votado para a Assembleia e empatámos, em número de vereadores, com o partido que elegeu a presidente. Só posso estar muito orgulhoso da minha equipa e do trabalho que fizemos. Vamos continuar a caminhar para vencer as eleições de 2029.

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