O sol punha-se no Terreiro do Relógio do Castelo. Esperava-se o anúncio de que estava inaugurada uma nova edição da Feira Medieval de Palmela, com presença de D. Afonso IV, acompanhado da rainha e do príncipe D. Pedro.
Como explica o Município, “corre o ano de 1348 e o Rei de Portugal decide visitar a vila e o Castelo de Palmela”.
Ao contrário do que pensa, o rei vem “não para dar um bom passeio, mas sim para confirmar a nova delimitação do concelho (1343) e lembrar aos habitantes a importância da fortaleza na defesa da região, sob o controle da Ordem de Santiago”.
Ao som da proclamação, abre portas o certame, entre os dias 25 e 27 de setembro, numa organização da câmara municipal. Entre bancas de mística e artesanato, gastronomia e típicas tabernas da época, há ainda espaço para uma zona com animais.
Uma dos locais — entre a paisagem que convida à viagem no tempo —, que se destina aos mais corajosos é a do “Caminho da Peste”, onde pode ser difícil encontrar a saída.
A programação integra ainda atividades paralelas, como a caminhada ao centro histórico, uma visita guiada ou o passeio inclusivo.
O bilhete tem o valor de 5 € por dia e 10 € o passe de três dias. As crianças com menos de 12 anos têm entrada gratuita, mediante a utilização obrigatória de pulseira de acesso.
Os bilhetes online devem ser trocados por uma pulseira física na entrada do recinto. O comprovativo pode ser apresentado em papel, no smartphone ou tablet.
“As pulseiras são pessoais e intransmissíveis, não podendo ser trocadas nem devolvidas após a compra”, explica ainda o Município de Palmela.
A pulseira diária “permite o acesso apenas no dia selecionado pelo visitante e não existem lugares marcados para os espetáculos e atividades”.
É aconselhável o planeamento da visita, incluindo dos locais de estacionamento. Junto à entrada principal está a “Casa das Alcoviteiras”, um “espaço de informação onde será possível obter esclarecimentos” e “consultar a programação”, além do site oficial do Município.
A feira abriu às 17 horas de 25 de setembro, sexta-feira, e encerra à meia-noite — horário que se repete no dia seguinte, 26, sábado. Já no domingo, 27 de setembro, estará aberta entre as 14 e as 23 horas.
A história que motiva o tema
D. Afonso IV, filho de D. Dinis e da rainha Isabel, não chega em vão: “o soberano quer comemorar na vila e no altaneiro castelo o sucesso luso na Batalha do Salado, onde pelejou de armas na mão lado a lado com os homens da Ordem de Santiago”, anuncia o Município em comunicado.
Assim, “nobres da corte, clérigos, freires de Santiago, homens bons do concelho e demais gentes de Palmela desfrutam da festa e da feira, entre manjares, músicas, jogos e outros folguedos”.
Palmela, na altura, era caracterizada pelas “terras agrícolas e de pastoreio, mas tinha também ligações ao mar, pelas ribeiras que seguiam até à foz”. “Às vinhas, às searas, aos pomares, às hortas, à produção de mel, juntava-se a criação de gado, a caça, o pescado”, explica a autarquia.
“Com a nova delimitação do concelho (1343), que favoreceu Setúbal, Palmela sofreu em termos económicos. O Castelo de Palmela continuava, porém, o referente militar e simbólico mais poderoso da região Entre Tejo e Sado”, pode ler-se.
“O espaço da vila era habitado por comunidades cristãs, judaicas e alguns muçulmanos forros. Nos poderes locais, competiam as elites concelhias e a Ordem de Santiago, detentora do castelo, do convento, de igrejas e ermidas, de lagares, moinhos e de outras propriedades urbanas e rurais”, descreve a autarquia, com nota de que, nos inícios de 1348, a Peste Negra espalhava-se em Itália e França — chegou a Portugal em finais de setembro.
A 1.ª edição do certame realizou-se em 2014, “com o objetivo de consolidar a imagem de Palmela associada à história e ao património diferenciando-se na abordagem à narrativa histórica enquanto produto turístico”, além de “valorizar o destino [Palmela] através da criação de oferta de experiências ligadas à história, à identidade, à cultura e à genuinidade do território”.

