Perde-se ao longe a vista das vinhas quando nos aproximamos de Fernando Pó. Entre castas brancas ou tintas, a quantidade de terreno vinhateiro é, por si só, um cartão-postal próprio e único deste local do concelho de Palmela. Ainda assim, o investimento na procura de mais turismo e dinamização da pequena vila acontece e, desta vez, num local peculiar, familiar e que contribuiu para a formação das gentes que ali moraram.
Foi inaugurada, a 24 de outubro, a Casa do Castelão – Wine Hostel, numa refuncionalização daquela que foi em tempos a escola primária de Fernando Pó. O projeto resulta da parceria entre o Município de Palmela e a Quinta da Riscadinha Sociedade Agrícola Unipessoal. O casal Bruno e Ana Costa — proprietários da Humus Farm, com sede na localidade — vão dinamizar o novo hostel.
Álvaro Amaro, presidente da câmara municipal, recordou o processo progressivo, com o apoio da população e de outros agentes, que foi necessário para a revitalização de Fernando Pó, reforçando o projeto Centro Rural Vinum, sendo um “ecossistema que começou a ganhar maior coesão” numa “visão estratégica”.
Faltava, no entanto, e além das atividades que vão decorrendo, a estadia para os visitantes. “Este não é um simples alojamento. É um ato de amor e paixão com muita visão. Conseguimos criar também um espaço de informação e acolhimento. A ideia é ter mais oferta e um turismo de natureza. Os objetivos ficam mais enriquecidos com esta visão. Correspondeu à medida aos princípios que tínhamos definido”, explica o autarca.

Bruno Costa diz estar “muito entusiasmado com o projeto”, sendo algo que procurava ao perceber “o potencial da aldeia vinhateira”. “A oferta que temos obriga a que as pessoas venham aqui de propósito para realizá-las. Ao criar formas de turismo, criamos capacidade para acolher visitantes no nosso espaço”, sublinha, acrescentando que chegam também novas experiências turística no pacote.
O espaço é, assim, “um ponto de partida para o conhecimento e descoberta do território, disponibilizando conteúdos digitais multimédia alusivos à relação das gentes desta Aldeia Vinhateira com a vinha, ao Percurso Pedestre ‘Jardins de Vinhas’, à Rota das Adegas, bem como à divulgação de outras ofertas de Enoturismo e produtos locais do concelho”, explica a autarquia em comunicado.
Com este objetivo, foram adquiridos, no âmbito da Operação Integrada Local (OIL) Poceirão e Marateca, os equipamentos de suporte, num investimento de 6 000 euros. No interior do hostel, está patente uma exposição permanente dedicada ao território vinhateiro e à história da antiga escola.
Na apresentação, estiveram presentes vereadores da autarquia, do casal de empresários, e de representantes da Associação para o Desenvolvimento Regional da Península de Setúbal (ADREPES), Associação da Rota de vinhos da Península de Setúbal (ARVPS) e movimento associativo e cívico de Fernando Pó.
A câmara municipal espera, assim, que “este projeto contribua também para estimular a criação de atividades económicas geradoras de emprego e fixação de população na localidade e considera que esta parceria será uma mais-valia para a dinamização do território, qualificação da oferta, desenvolvimento local e qualidade de vida da população”.


