Segunda-feira, 23 Março 2026
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Liberdade, atitude e muitos desenhos: Festa da Ilustração está de regresso a Setúbal

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“Uma imagem vale mais do que mil palavras”. Esta é uma ideia que percorre gerações e acaba, de uma forma ou de outra, por provar ser verdadeira. Não é ao acaso que grandes artistas deixaram obras imaculadas e reconhecíveis em todo o mundo e, muitas delas, são sinais e símbolos de ideologias, pensamentos e vivências — de quem as pintou e uma representação da sociedade, em geral.

A liberdade, a atitude, a preocupação, e, em muitos casos, a opinião, são mote para a 11.ª edição da Festa da Ilustração, que decorre entre outubro e dezembro, em vários locais de Setúbal e Azeitão. “A Liberdade não é negociável. Este é o conteúdo e a mensagem da Festa da Ilustração, uma condição que a Câmara Municipal de Setúbal sempre teve neste evento”, afirmou Pedro Pina, vereador do Município, na apresentação do evento, que decorreu a 18 de setembro, na Casa da Cultura.

E acrescenta: “É um evento que faz um trabalho de dessacralização de espaços ao longo destes anos e que tem a possibilidade de homenagear e de reconhecer publicamente artistas consagrados, nacionais e estrangeiros”.

Para Pedro Pina, a Festa da Ilustração tem “tido a capacidade de trazer pessoas e de ter manifestações de exposições colocando em cima da mesa matérias de interesse que provavelmente fogem àquilo que são os quotidianos de consumo da cultura”.

“Temos resistido aos ímpetos e continuaremos a afirmar a Festa da Ilustração como uma marca indelével daquilo que é o olhar que temos para a Cultura em Setúbal”, com um evento de referência e “uma programação repleta de boa inspiração e com excelentes artistas”, remata o autarca.

O curador da Festa da Ilustração, José Teófilo Duarte, considera que este é”um dos maiores eventos do mundo na área da ilustração ao nível de dimensão expositiva”, e sublinha que é “atitude, denúncia e preocupação sobre o que está a acontecer”.

Na apresentação da festa, foi recordado o porquê da idealização da Festa da Ilustração, aquando da tragédia que ocorreu na redação do jornal satírico francês Charlie Hebdo, em 2015, em que foram assassinados vários ilustradores.

Sob a questão “É Preciso Fazer um Desenho?”, a festa dos desenhos começa a 3 de outubro, pelas 22h30, na Casa da Cultura. Convida à visita de cerca de uma dezena de exposições, com destaque para “Salvar o Tempo”, de Rachel Caiado, a convidada nacional, e “Aqui é um Bom Lugar”, de Yara Kono, a convidada estrangeira, ambas na Casa da Cultura.

O programa destaca ainda “Contos Cantados”, de André da Loba, na Livraria Culsete, “Ilustração Portuguesa”, com autores portugueses, no espaço A Gráfica, “O Cruciverablista”, de Paulo Novo e Paulo Freixinho, na Galeria Municipal do 11, comemorativa de 100 anos de palavras-cruzadas em Portugal, acrescenta a câmara municipal.

“Bug”, de André Ruivo, na Casa Bocage, “Zé: Sempre o Mesmo”, de homenagem aos 150 anos de Rafael Bordalo Pinheiro, na Galeria Municipal do 11, “Vidas entre o Mar e a Terra”, de Evanthia Tsantila e Luís Tibério, e “Cartazes Ilustrados”, nas bibliotecas de Setúbal e Azeitão, também integram a Festa da Ilustração.

Decorre ainda a oficina “Viagens à Volta de uma Linha”, na Casa da Cultura, além de uma sessão de curtas-metragens de André Ruivo, seguida de conversa, na Casa das Imagens Lauro António.

As exposições da 11.ª Festa da Ilustração ocupam, em diferentes datas, entre outubro e dezembro, a Casa da Cultura, Casa Bocage, Museu do Trabalho Michel Giacometti, Galeria Municipal do 11, A Gráfica, Museu de Setúbal/Convento de Jesus, Livraria Culsete e bibliotecas de Setúbal e Azeitão.

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