As homenagens às figuras que estão eternamente ligadas à história do 25 de Abril são, também, lembradas ao longo dos anos e para sempre. Exemplo da comemoração destas personalidades é a mostra patente na Biblioteca de Azeitão dedicada a Vasco Gonçalves, primeiro-ministro após a Revolução dos Cravos.
A exposição fotográfica e documental surge na comemoração do centenário do político. Inaugurada a 1 de agosto, a exposição “No Centenário de Vasco Gonçalves” é organizada pela Câmara Municipal de Setúbal, em parceria com a Associação Conquistas da Revolução. Na apresentação esteve presente o vereador da Cultura, Pedro Pina, que defendeu ser “uma necessidade imperiosa” celebrar o seu legado.
Dos momentos da sessão de abertura, existiu o discurso de “uma mulher que recordou, com emoção, como o aumento do salário mínimo, de 3300 para 4000 escudos, permitiu à sua família comprar carne de vaca pela primeira vez”, explica o Município de Setúbal em comunicado.
Vasco Gonçalves, nascido em Lisboa, no ano de 1921, foi um militar ligado ao Movimento das Forças Armadas, tendo liderado “quatro governos provisórios entre julho de 1974 e setembro de 1975” e integrado o Conselho da Revolução, “órgão criado para garantir o funcionamento das instituições democráticas e o cumprimento da Constituição”.
Durante a sua vida e carreira, foi “impulsionador de medidas fundamentais para a liquidação dos suportes do fascismo e do colonialismo”, bem como para o “estabelecimento das bases democráticas e progressistas que viriam a ser consagradas na Constituição da República Portuguesa, em 1976”.
Nessa altura, formaram-se diferentes grupos e associações que permitiram a “livre expressão dos cidadãos”. Realizaram-se também “as primeiras eleições plenamente livres e democráticas em Portugal, com uma participação histórica”.
A legislação mudou, com “grande alcance social e laboral”, com a “criação do subsídio de desemprego, do subsídio de Natal para pensionistas e do suplemento de grande invalidez”.
A juntar às mudanças da época, surge uma melhor “proteção social dos trabalhadores agrícolas, o salário mínimo nacional foi atualizado em 21 por cento, suspenderam-se os despedimentos sem justa causa, promoveu-se a contratação coletiva e garantiram-se os direitos de manifestação e sindicalização, através da publicação da Lei Sindical”.
Durante o mandato como primeiro-ministro, “pôs-se fim aos monopólios que dominavam a grande finança e indústria, realizou-se uma reforma agrária na área do latifúndio, promulgou-se a Lei do Arrendamento Rural, promoveu-se o poder regional e autárquico, a habitação social e deram-se os primeiros passos para a criação de um serviço nacional de saúde”, entre outras mudanças significativas. Morreu a 11 de junho de 2005, em Almancil, vítima de ataque cardíaco.
Patente até 29 de agosto, as visitas à mostra podem ser feitas em dias úteis, das 9 horas às 12h30 e das 14 horas às 17h30. A entrada é gratuita.

