Os presidentes das câmaras municipais de Setúbal, André Martins, de Sesimbra, Francisco Jesus, e o vice-presidente da autarquia de Palmela, Miguel Calha, estiveram reunidos com o conselho de administração da Unidade Local de Saúde da Arrábida (ULSA), no dia 24 de julho, pelas 15 horas, no Centro Hospitalar de Setúbal, de forma a entender o cenário da urgência de obstetrícia e ginecologia na região.
O resultado deste encontro, presidido por Luís Pombo, levou os autarcas da Arrábida a tecerem críticas sobre o funcionamento e soluções apresentadas pelo Governo. Neste sentido, foi revelado que irão pedir, “com urgência”, uma reunião com a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para “esclarecerem claramente” o que significa a “resolução do problema na Península de Setúbal”, mencionada pela própria, até setembro.
Entre as soluções noticiadas, está a concentração das urgências da especialidade no Hospital Garcia da Orta, em Almada, o que deixa dúvidas sobre a “existência de algum plano que olhe para a Península de Setúbal”. Segundo André Martins, o problema da especialidade de ginecologia e obstetrícia estende-se ao serviço clínico no hospital, que também “tem de ser garantido”.
“Desta informação toda que nós recebemos aqui destes profissionais, o que ressalta é que as informações, que são públicas, deixam-nos muito preocupados, mais do que estávamos há uns tempos. Estas medidas, pelo menos do que é conhecido publicamente, não são solução nenhuma que nos garanta a continuidade de um serviço que é fundamental”, salienta.
“Vamos pedir à senhora ministra uma reunião com carácter de urgência, para avaliarmos a situação. O que transparece da informação que colhemos é que se está muito a procurar resolver o problema das urgências, sempre com dificuldades, mas o problema não é só esse, é também o funcionamento dos serviços. Os doentes que estão nos serviços precisam de ser tratados e precisam lá dos profissionais”, finaliza.
Já Francisco Jesus, afirma que na reunião com a administração da ULSA, também se tentou perceber quais os problemas que existem no terreno e as eventuais soluções para o Centro Hospitalar de Setúbal. Neste aspeto, o presidente de Sesimbra menciona que foi revelado que “as equipas estão altamente reduzidas e esgotadíssimas”, além de que “grande parte da equipa de obstetrícia do hospital de São Bernardo tem mais de 55 anos”, pelo que “têm redução de horário”.
“É um problema conjuntural, mas que se agravou nos últimos tempos. O que temos é um encerramento programado das urgências de obstetrícia repartido rotativamente pelos três hospitais da Península de Setúbal, onde um funciona na segunda, terça e quarta-feira, outro na quinta e sexta-feira e outro no sábado e domingo”, elucida.
O autarca aponta ainda para o problema de “contratação de profissionais de saúde”, que são atraídos para postos de trabalho no setor privado. Para mitigar a situação, Francisco Jesus recomenda a criação de “condições” através de “contratações com um valor acrescentado para vagas carenciadas”, as quais podem contemplar “todos os hospitais da região”, incluindo o São Bernardo.
“Será preferível, com as equipas existentes, manterem-se abertas todas as urgências obstétricas nas três unidades hospitalares. Cada uma delas ficava a dar resposta aos seus concelhos de origem, sendo que aqui, para além de Setúbal, Palmela e Sesimbra, temos o território do Litoral Alentejano. Não sendo possível em cada uma delas, pelo menos duas tinham de ficar a funcionar para se poder dar resposta”, diz.
Ainda não existe data prevista para a reunião com a ministra da Saúde, mas sabemos que os presidentes da Arrábida desejam “manter abertas” as urgências da especialidade de todos os hospitais da Península de Setúbal, incluindo também os de Almada e Barreiro.

